Senge-DF

Visite o site do Sindicato de Engenheiros de Brasília www.sengedf.com.br

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Água e tarifa punitiva

Fica autorizada a reprodução deste texto desde que citada a autoria e a fonte.

Eng. Danilo Sili Borges
“ Ao primeiro sinal de gripe ou resfriado, tome melhoral, que é melhor e não faz mal.”
Esse velho anúncio de antigo medicamento parece sintetizar a filosofia administrativa de governos e governantes menos aplicados em suas tarefas, quando frente a qualquer dificuldade aumentam a carga de tributos e tarifas sobre os governados. Melhoral neles!
Anuncia a imprensa que nos próximos dias receberemos em nossas casas a sobretaxa da tarifa de água, sob a alegação de escassez do indispensável líquido. O que se pretende é reduzir o consumo pela implantação de tarifa punitiva ao consumo, pelo menos essa é a alegação oficial para que dedos ágeis sejam introduzidos em nossos bolsos.
Pelos jornais, percebe-se que a penalização às famílias do DF assenta-se nos seguintes argumentos:
O aquecimento global diminui a disponibilidade de água;
Os reservatórios do DF estão com nível  reduzido neste final da estação seca;
Os cidadãos e as famílias devem ser punidos para aprenderem a economizar água. E nada dói mais que o bolso, principalmente durante a longa e apavorante crise econômica pela qual passa a sociedade brasileira.
Sobre esses argumentos cabem algumas reflexões. Vamos a elas.
A quantidade total de água no planeta é constante. Esse bem natural não se cria ou destrói em quantidades significativas através das eras. O aquecimento da atmosfera e dos mares pode alterar o clima de diversas regiões, trazendo seca a algumas, temporais e ciclones a outras, enchentes e desordens diversas aleatoriamente. O ciclo hidrológico se acelera.
O registro das médias anuais da precipitação pluviométrica no DF e regiões circunvizinhas, por período de dez ou vinte anos, poderá indicar se nossa região, de fato, encontra-se dentro de uma área de redução de chuvas. Infelizmente não encontrei essas informações nas matérias que li.
Sabe-se que, nesta região, de abril a outubro há pouca ou nenhuma chuva. É assim inevitável que os reservatórios percam volume de água. Resta ficar bem explicado se a quantidade remanescente é suficiente para vencer o restante do período seco e se as chuvas previstas serão suficientes para recarregá-los. Essa questão, como outras,  deveriam ser sobejamente explicadas à população. Transparência não se aplica somente a recursos financeiros.
As atuais tarifas de água e esgoto no DF são bastante elevadas, situação a que se chegou pelo uso dos mesmos argumentos que estão sendo utilizados para justificar a tarifa punitiva. Não nos parece que, frente aos custos atuais, exista ainda consideráveis desperdícios do precioso líquido. O consumo mínimo de água por cada família tem limites do próprio uso. Tarifas punitivas não poderão reduzir o consumo abaixo desses limites. Afinal o consumo de água não vai zerar mesmo que se multipliquem as tarifas por 100 ou 200.
Algumas questões são inquietantes. A captação, a reservação e o tratamento de água para abastecimento no DF têm acompanhado o crescimento demográfico desta unidade federativa?
Ao ser inaugurada, há poucos anos, a barragem Corumbá IV, (empreendimento em parceria do GDF com o governo de Goiás) o então governador do DF afirmou que o Distrito Federal não teria problema de abastecimento de água pelos próximos 90 anos.  Foi balela daquela autoridade, ou o que mudou desde então? Ou será que não foram executadas as obras necessárias para a adução e distribuição do volume que pode ser captado no estado vizinho? A população tem justa curiosidade em ter respondidas essas questões.
Se há escassez estrutural de água em nossa região, não seria o caso de não haver incentivo para o seu crescimento populacional? A política de sistemática venda de lotes pela Terracap não é contrária a essa idéia?

Sugestão final: As explicações oficiais para a implantação da tarifa punitiva não falam em aumentar a arrecadação e sim em reduzir o consumo de água. Frente a isso, se a tarifa punitiva realmente for imposta à população, sugiro que os recursos arrecadados sejam inteiramente repassados ao sistema público de saúde, tão carente de meios.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL AMEAÇADA


O texto abaixo é da Associação Brasileira de Engenheiros de Pavimentação e está sendo postado por sugestão do Eng. Luiz Ronaldo S, Tavares, vice-presidente da ABEPV.

 Mais uma vez é chegada a hora de mudanças em nossa representação profissional. É a oportunidade para refletirmos sobre todas as situações que nos rodeiam e que demandam providências para que se enquadrem em nossos principais interesses. Uma delas refere-se à comprovação de experiência anterior exigida nas licitações governamentais. É sabido que somente a nós, engenheiros, agrônomos, geólogos e profissões afins, pertence o ônus da responsabilidade técnica e civil pelas obras que executamos, supervisionamos ou das quais participamos. A este ônus, junta-se o bônus de nos serem conferidos certificados que objetivam e concretizam o conceito de nossa experiência anterior na execução das obras. São documentos que representam nosso patrimônio intelectual, de cunho autoral, já previstos em legislação específica e que, portanto, contam com ampla proteção jurídica. Esses certificados são o que nos diferencia no mercado e que nos credencia para ele. São, sem qualquer dúvida o símbolo máximo de nossa valorização e degrau essencial para a plena implementação da dignidade profissional. No entanto, uma agressão silenciosa, grave e sem precedentes à tão cara valorização à dignidade, tem sido perpetrada pelos órgãos da administração pública federal, estadual e municipal que licitam obras de infraestrutura urbana, saneamento, edificações, aeroportos, rodovias, etc. Esses órgãos têm adotado, para aferição da experiência anterior da empresa licitante, dois critérios: um legal e outro distante desse adjetivo. O primeiro atende ao rigor da demonstração de experiência profissional do quadro de profissionais da empresa licitante, conforme a Lei 5.194/66 e o art. 30 da Lei 8.666/93, bem como as Resoluções do Confea nº. 1025/2009 e 336/89. Deveria, então, bastar. Mas não é o que acontece. Sem qualquer proveito complementar, os órgãos exigem ainda uma segunda categoria de comprovação, denominada usualmente nos editais por “Acervo Técnico da Empresa”. Entendem, pelos equivocados termos de seus editais, que o “Acervo Técnico da Empresa” é o histórico de serviços que a empresa executou, interpretação esta que se encontra em flagrante contraste e em extremo desacordo com o teor cristalino e expresso nos termos do art. 64º § 4º da Resolução 1025/2009 do Confea. Exigem, ainda, que a empresa demonstre ter executado serviços nos quantitativos mínimos conotativamente definidos sem critério técnico-científico pelo edital, e totalmente programado para atender grupo de empresas, verdadeiro casuísmo. Como confirmar se tal empresa que executou determinada obra, hoje têm as mesmas condições técnicas e operacionais daquela época? A concorrência inapropriada da comprovação do Acervo Técnico do Profissional, com o absurdo requisito do “Acervo Técnico da Empresa”, faz com que empresas sejam contratadas mais pelas obras que já executaram do que pelos profissionais que possuem em seu quadro técnico, mesmo que nenhum dos responsáveis pelas obras anteriores esteja ainda atuando na empresa licitante. Conclui-se, então, que é completo o desprezo ao Acervo Técnico do Profissional, já que o documento não é suficiente para comprovar a capacidade técnica da licitante. Outra aguda questão: os órgãos licitantes exigem o acervo técnico de um ente abstrato, de uma ficção jurídica que interessa somente a lei para fins exclusivos da personificação de direitos e obrigações, mas nunca de cunho autoral ou intelectual. Esses são aspectos apropriáveis somente pelo ser humano, já que é impossível uma pessoa “não natural” ser proprietária de um acervo imaterial, possuir aptidão, ou seja, proprietária de uma experiência. Tudo isso vem acontecendo já há alguns anos, velada e silenciosamente. A quem interessa esse silêncio? O que se pode garantir é que, definitivamente, não são os engenheiros, agrônomos e outros profissionais do Sistema Confea/Crea os interessados. Os Creas são conhecedores dessa situação há bastante tempo. Apesar de informarem a existência de contatos com os órgãos licitantes para reverter a situação, o que se vê é a permanência deste lamentável cenário. E a sua continuidade fará com que nenhum profissional do Sistema, ao decidir fundar empresa própria, seja capaz de contratar com o governo, pois faltará o Acervo Técnico da recém-fundada empresa para que, segundo os critérios estabelecidos nos editais, possa garantir ao órgão Licitante a segurança em suas contratações, mesmo que um profissional da área com PhD seja de seu quadro técnico. A capacidade e independência de que o engenheiro e o agrônomo necessitam para empreender passarão a inexistir. Não existe respeito ao veto presidencial do Presidente da República, quanto à Capacidade Técnico Operativa da Empresa, Lei 8666/93 artigo 30 § 1º, incisos II a e II b. 26 – Valorização Profissional Ameaçada A progressão salarial em razão da competência também estará fadada à morte, uma vez que a experiência profissional é, apenas e tão somente figurativa, para a finalidade da contratação com o poder público. Contratar profissionais gabaritados para quê? Se hoje contamos com 100.000 profissionais afastados de sua área de atuação pela falta de oportunidade, com o atual quadro formado na administração pública, esse número sofrerá imenso incremento, situação que devemos combater a qualquer custo. Essa conduta dos órgãos públicos não ofende apenas o profissional da engenharia. Agride também, e sobremaneira, o interesse público, que fica entregue à arbitrariedade do administrador na decisão de contratar na contramão das determinações legais existentes. Por tudo isso, necessitamos agir em defesa de nosso mais precioso interesse: a valorização de nossa profissão e de nossa dignidade como profissional de uma área tão essencial ao desenvolvimento humano. As maiores empreiteiras do país estão entre as que mais prestam serviços para o governo federal. As empresas de menor porte têm mais dificuldades para ganhar licitações públicas e executar obras no setor de construção civil. Um dos maiores empecilhos que elas encontram é exatamente a necessidade de demonstrar capacidade técnicooperacional, com atestados de experiência anterior em obras semelhantes. Tal exigência costuma levar sempre as mesmas empresas à participação nos certames. No Rio Grande do Sul o Tribunal de Contas do Estado (TCE/RS) já vetou esta obrigatoriedade e apregoa que as licitações que não obedecerem à nova regra devem ser canceladas. Contamos com o apoio do Sistema Confea/Crea e Mútua e de todos os colegas nesta batalha já iniciada pelo Crea-RS revertendo exigências editalícias da Capacidade Técnica da Empresa para somente Capacidade Técnica Profissional, o que foi pioneiramente aprovado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul – TCE/RS. Engenheiros da ABEPv – Associação Brasileira de Engenheiros de Pavimentação Apoio: Confea – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia Crea-DF – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal ABVP – Associação Brasileira pela Valorização Profissional ABEOp – Associação Brasileira de Engenheiros de Obras Públicas Abenc – Associação Brasileira de Engenheiros Civis Mútua - Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Se conselho fosse bom ....


Fica autorizada a publicação do texto abaixo desde que citada a fonte e a sua autoria.

Eng. Danilo Sili Borges

Recebo com frequência mensagens de jovens engenheiros e de estudantes arguindo-me sobre aspectos da nossa profissão com relação ao momento atual e perspectivas. Devo essas atenções ao que eventualmente publico nesta página da Voz do Engenheiro, do Senge-DF, ao blog Conversa de Engenheiro (conversadeengenheiro.blogspot.com) e a eventuais participações em encontros profissionais.
Percebo sempre a angústia desses jovens com seu futuro profissional, neste momento central da crise econômica que assola a sociedade brasileira. Solicitam-me previsões sobre a duração e possível agravamento do cataclismo que se abateu sobre a nação e suas implicações na profissão.
Não sei fazer previsões desse tipo. Meu lado oráculo está desativado. Os profissionais da área econômica as estão fazendo, aos montes, nas redes de TV, e quase sempre errando, mas afinal essas adivinhações têm o condão de despertar expectativas, até que a realidade, boa ou má, mostre sua verdadeira cara. Órgãos oficiais do governo federal também participam desse festival de previsões. Se você se der ao trabalho de procurar artigos de economia dos institutos públicos, de cinco ou seis anos, vai verificar que por elas estaríamos hoje desfrutando de um crescimento anual do PIB da ordem de 5 a 7%. Para a engenharia previa-se, como consequência, a necessidade de centenas de milhares de novos engenheiros. E muita gente boa acreditou nessa simpática história.
Vai aqui o primeiro “conselho”: Engenheiro é alguém formado para resolver problemas e não deve acreditar ou fazer previsões que não estejam muito bem assentadas em fatos.
Recorrentes são também perguntas do tipo: - “Por que a corrupção se concentra primordialmente em obras e empresas de engenharia?”
E eu respondo: - Porque aí é que se concentram os grandes contratos com recursos públicos. Mesmo em época de vacas magras, tem havido recursos para grandes empreendimentos – estádios, sistemas de transportes urbanos, ferrovias, estradas, desvio do Rio São Francisco, centrais hidroelétricas, refinarias de petróleo, usina nuclear, exploração de petróleo em áreas submarinas.
Por um lado, temos que saudar a existência dessas obras, muitas das quais de importância fulcral para o desenvolvimento do país. Por outro, temos que lamentar a corrupção inerente a muitas delas, que têm seus custos ampliados por meio de sobrepreços e outras práticas danosas para a economia e para a moral pública. Neste caso um continuado desastre.
Escolho o terceiro grupo de questões que me são formuladas quanto à segurança das obras recentemente executadas ou em execução. Recorrendo à memória sei citar casos recentes:
1 – Desabamento de um viaduto em BH durante a Copa do Mundo de 2014;
2 – Desabamento de um tramo da ciclovia em São Conrado – RJ.
3 – Entrega de obras na Vila Olímpica em condições precárias para utilização imediata;
4 – Não cumprimento das obras de saneamento ambiental da Baia de Guanabara e outras;
Causas?
Obras com prazos políticos; formação inadequada de engenheiros; mercantilização do ensino superior, e aqui me refiro ao da engenharia, que tem posto no mercado profissionais sem a formação adequada.
A ausência de engenheiros experientes e vividos nas salas de aulas, substituídos integralmente por doutores, por exigência do sistema educacional, numa espécie de reserva de mercado para esses titulados, muitas vezes jovens bem formados, mas inexperientes na prática profissional.
As equipes das escolas devem ser mistas. Nelas têm que estar presentes os atualizadíssimos conhecedores das ciências da engenharia, os doutores, mas também os competentes artistas da profissão, profissionais de alto nível, projetistas e executores de grandes obras, afastados da academia pela visão míope e sectária das autoridades educacionais. Uma lástima e um grande prejuízo.
Para encerrar esses conselhos (que, diz a sabedoria popular, se fossem bons seriam vendidos):
1-      Não entrem em cambalachos, propinas e vantagens suspeitas. Nem dando, nem recebendo. O Brasil está mudando. Contribua para a criação de uma sociedade mais séria.
2-      Se, por um lado, as graduações deixam, muitas vezes, a desejar para a formação profissional, existem ofertas importantes de cursos de especialização, pós-graduações latu sensu, presenciais ou a distância, que permitem um aprimoramento permanente. Frequente-os.

3-      Participe ativamente das entidades de representação profissional da engenharia – clubes, sindicatos, associações, conselhos. Essas entidades padecem dos mesmos males que assolam todos os segmentos da nação e é preciso oxigená-los. Somente os jovens podem fazer isso.

Matéria originalmente publicada na revista Voz do Engenheiro, do Senge-DF, edição de setembro de 2016


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Prêmio e Castigo – Ryan Steven Lochte


Eng. Danilo Sili Borges

Não sou admirador dos Estados Unidos. Sou cidadão desta parte sul e latina da America pobre e explorada. Tenho sentimentos negativos em relação ao poderoso vizinho do norte. Minha geração cultivou, não sem razão, restrições àquele país por sua presença arrogante em todas as partes do planeta e principalmente por aqui, que perpetuamente lhes tem parecido não merecer o seu respeito e consideração.
Essas características deletérias parecem-me bem demonstradas na campanha eleitoral do senhor Trump, com suas propostas do muro na fronteira mexicana, 3000 mil quilômetros, a serem pagos, ele garante, pelo México; a expulsão dos imigrantes irregulares; o impedimento de entrada em seu país de muçulmanos, entre outras pérolas da intolerância humana.
A prepotência norte-americana é mais sutil na campanha da concorrente Hillary, mas a postura de “donos do mundo” também ali está presente.
No outro prato da balança, sei colocar os incomensuráveis benefícios que a sociedade americana tem, por muitas décadas, ofertado ao mundo nas artes, na ciência, nos costumes. Exemplo pronto e acabado das virtudes daquela sociedade pôde ser observado no caso do comportamento irresponsável do atleta Ryan Lochte, juntamente com outros 3 ou  4 componentes da delegação norte americana à  Olimpíada no Rio, incidente fartamente coberto pela mídia nacional e internacional.
Os fatos apurados rigorosamente pela polícia carioca levaram a que a hipótese do grupo ter sido assaltado não se sustentasse. O grande nadador americano  –  12 medalhas e muitos recordes em quatro Olimpíadas –  teve, num primeiro momento, o apoio da imprensa de seu país. Depois a mentira surgiu e o comportamento do grupo ficou sobejamente comprovado. Então a casa caiu.
Ontem, 8 de setembro, a imprensa americana divulgou as severas penalidades impostas ao premiado nadador e aos seus companheiros. Lochte, além de perder os patrocínios empresariais, pelo menos um dos quais, existente desde o início de sua bem sucedida carreira nas piscinas, foi severamente punido pelo Comitê Olímpico dos Estados Unidos – USCD – e pela Federação Americana de Natação.
A suspensão de Lochte das atividades esportivas por 10 meses o impedirá de competir no Campeonato Mundial de Natação em Budapeste em julho de 2017. No mesmo período estará proibido de acessar os centros oficiais de treinamento; terá que prestar 20 horas de trabalhos comunitários; não receberá o bônus de 100 mil dólares que cabe aos vencedores de medalhas de ouro; perderá o patrocínio mensal feito pelo USCD e está impedido de estar presente à visita à Casa Branca, com a vencedora delegação americana à Olimpíada de 2016. Prejuízos financeiros consideráveis, exposição pública dos seus desvios éticos, por aí andaram as penalidades.
Certamente Ryan Lochte tem sido ídolo da juventude de seu país, mas os deslizes pelas atitudes erradas e a mentira sobre elas, fez com que tudo de positivo que o atleta tem desempenhado, não servisse para que suas faltas fossem esquecidas, ou jogadas para baixo do tapete. As punições servem também para calibrar o futuro comportamento dos jovens que, com justa razão, admiram os ímpares dotes atléticos de Ryan.
Que bom, se por aqui também tivéssemos esses cuidados. O que seria das nossas representações políticas, nas quais crimes contra o erário público (entre outros) são cometidos por membros importantes, denunciados e comprovados, mas seus processos rolam na justiça em grande número, sem punições previstas.
Com certeza, nascem aí, nessa diferença de atitudes, os resultados comparados, tão díspares, entre as duas sociedades.

9set16

domingo, 24 de abril de 2016

Fato consumado e concessão de Habite-se

Fica autorizada a reprodução deste texto desde que citada a autoria e a fonte

Eng. Danilo Sili Borges
Os códigos municipais para edificações são, em geral, documentos bem elaborados por engenheiros e arquitetos das prefeituras e das entidades privadas da municipalidade. Periodicamente esses documentos são revistos e adaptados a novas diretrizes urbanísticas, a novas tecnologias construtivas, entre outros fatores por comissões constituídas por profissionais experientes e representativos da comunidade. Até aí tudo muito bem.

Burlar as determinações do Código de Obras pode significar, muitas vezes, expressivos ganhos para o empreendedor. Imaginemos, por exemplo, que o código de obras, numa determinada região da cidade, limite a altura das construções, medidas da cota de soleira ao seu ponto mais alto.

Certamente esse limite define o número máximo de pavimentos da edificação. Se se tratar de edifício para uso comercial em área nobre, quanto mais livres forem esses pavimentos, isto é, com um número reduzido de pilares, mais valiosos serão esses espaços, principalmente hoje em que pavimentos inteiros são negociados para lojas e outra atividades que exigem grandes espaços livres.

Já dizia a sabedoria portuguesa de antanho, "não há bela sem senão". No nosso caso, menos pilares levam a vigas e lajes de maiores dimensões. E, portanto, pés direitos menores em cada pavimento, ou até a redução do número de pavimentos (e é aí que a "porca torce o rabo").

Para não ultrapassar o limite imposto pelo código, o empreendedor, na fase de aprovação do projeto pela prefeitura, reduz a espessura indicada das peças estruturais horizontais, para dimensões inexequíveis e submete os desenhos para aprovação.

Nem sempre o profissional analista do projeto tem conhecimento para avaliar expeditamente que as mencionadas peças não poderão ter as dimensões cotadas no projeto geométrico. É necessário que as comissões de aprovação de projetos para efeitos de concessão de alvarás de construção contem com profissionais que dominem o projeto estrutural. E isto é muito mais que as atribuições profissionais eventuais que alguns profissionais possam ter.

Por ocasião da solicitação do Habite-se, a fiscalização municipal encontra a edificação com altura superior a autorizada pelo Código e nega a autorização para a ocupação e uso do imóvel. As lajes não puderam ser construídas com a espessura do projeto aprovado, como já se sabia. Na realidade precisaram, por exemplo, ser pró-tendidas e suas alturas foram, ainda assim, para, digamos, o dobro ou o triplo do que foi aprovado. A altura total prevista foi ultrapassada. Aí começa a conhecida história do fato consumado.

O empreendedor recorre a organismos dos governos municipais e alega que inúmeros outros casos, como o seu, foram aceitos e relaciona alguns. O poder público se vê na difícil situação de aceitar o que foi deliberadamente construído, burlando a legislação, ou de determinar o refazimento total ou parcial da obra. Quase que invariavelmente a decisão é pela aceitação da burla.

Valeu, é claro, o fato consumado. A primeira consequência perniciosa é que mais um exemplo do mal feito servirá, daí em diante, para novas justificativas. E assim o poder público perde sua credibilidade e as cidades vão sendo construídas com um belo Código de Obras, mas que é rotineiramente desrespeitado com o aval das autoridades.

Em algumas cidades o poder público criou uma espécie de "jurisprudência": aquilo que nos recursos já tiver exemplo de aprovação, apesar de ferir o Código, pode ser aprovado administrativamente pela fiscalização ou órgão similar. Estamos, portanto, frente a autorização prévia e automática de desrespeito ao código de obras, que é uma lei municipal, ou no caso de Brasília, distrital.

O triste nesse caso, é que o fato consumado quase sempre compensa.

Alerto aqui os funcionários administrativos que tenham cuidado ao aceitarem as justificativas dos tais casos anteriores de fatos consumados como paradigmas para aprovação de situações não cobertas pelo Código de Obras, pois poderão ser responsabilizados por estarem admitindo como corretos, casos não previstos no documento competente. Afinal, dois casos nunca são iguais e similaridade é um conceito muito fluido. Cuidado, portanto, com os fatos consumados. Deixem essa aceitação para os "cachorros grandes".


domingo, 10 de abril de 2016

Leniência, o que é isso?

Fica autorizada a reprodução deste texto desde que citada a autoria e a fonte

Eng. Civil Danilo Sili Borges 
Procure no Aurélio o significado de leniência. Você será direcionado ao termo sinônimo lenidade, cujo significado é, segundo o mesmo dicionário, brandura, suavidade, doçura, leniência.

Ambos os termos não são do uso cotidiano dos brasileiros. Tanta suavidade, tanta brandura, tanta doçura com as empresas apanhadas pelas investigações da operação lava-jato os justificam para evitar celeuma e, ainda mais, clamor público.

Penso que já temos suficiente entendimento de como se pretende atuar no caso das mega empresas, que durante anos formaram cartel para esbulhar o cidadão brasileiro, é verdade que com o concurso de políticos e executivos do setor público. A leniência, agora em andamento, é versão “abafa-crime” do jeitinho brasileiro.

Dirigentes de empresas de menor porte, e sem os anteparos da propina, sabem o que significa ser a empresa declarada como inidônea pelo serviço público. Ficam impedidas de transacionar com o governo, passam a fazer parte de uma lista de desonestos, na melhor das hipóteses, incompetentes. Para as mega amigas não se cogita do tratamento saneador. Afinal, não se faz sofrer amigos e parceiros.

Sofisma-se ao afirmar que tais empresas dão emprego a centenas de milhares de trabalhadores, que sem elas o Brasil não teria como realizar as grandes obras de infraestrutura que necessita. Falácias para poderem ser lenientes (doces) com quem foi tão útil, e a bem da verdade, que talvez ainda possam vir a ser, o futuro a Deus pertence!  


Vamos por partes. Desmontando a primeira mentira: As empresas flagradas roubando dinheiro público não geram postos de trabalho, quem o faz é o governo ao licitar as obras com dinheiro do povo. Mais obras e mais empregos existiriam em construções sem superfaturamento.
Desmontando a mentira número dois: O Brasil dispõe de milhares de empresas construtoras que podem realizar as obras necessárias. As desonestas podem sair do cenário.

O argumento da experiência profissional desses atores-vilões não se sustenta. O know-how existe na competência dos engenheiros brasileiros. Aliás, é possível prever sérias dificuldades para empresas acostumadas a trabalhar com os orçamentos inchados dos cartéis, se elas se aventurarem em obras com preços reais e concorrendo para valer num mercado competitivo e sem vícios. E pior ainda, com a mácula indelével que nelas se colou.

Agora que a vaca foi para o brejo, juras de honestidade futura aparecem feitas por esses abutres da engenharia. "De agora em diante não roubaremos mais", você acredita?

Além disso, as punições se deveriam aplicar aos desvios passados e proporcionalmente aos danos causados. Sei que é difícil calcular quantas crianças ficaram sem atendimento médico, quantas pessoas ficaram sem alimentos, quanta dor e desespero foram causados. Os responsáveis por essas arapucas, chamadas de mega empresas, e seus parceiros devem passar o resto dos seus dias em penitência, para tentarem reduzir o sofrimento no inferno.

A engenharia, assim como outras profissões, tem organismos cuja principal função é zelar pelo bem estar da sociedade no concernente aos serviços de engenharia. São vinte e oito autarquias especiais, órgãos públicos com grande autonomia administrativa e econômico-financeira, vinte e sete Creas e o Confea. Em seus arquivos estão compulsoriamente registrados todos os engenheiros e todas as empresas do segmento, para que esses órgãos possam fiscalizar e regulamentar suas atividades, principalmente quanto ao aspecto ético.

Esses organismos, Confea e Creas, devem à sociedade brasileira um posicionamento público sobre os fatos que, há aproximadamente dois anos, veem sendo fartamente divulgados pela mídia. Os engenheiros merecem e exigem isso. A sociedade também. Fingir-se de morto não elide responsabilidades.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O engenheiro envergonhado

Eng. Civil Danilo Sili Borges

Há poucos dias encontrei no aeroporto do Galeão um colega de turma, que não via há mais de trinta anos. Aeroportos são ótimos por nos proporcionarem encontros inesperados. Como eu, ele também vinha para Brasília, onde mora um de seus filhos. Carlos Silva (nome fictício) e eu nos formamos em engenharia civil no distante e conturbado ano de 1964, na Escola Fluminense de Engenharia, então uma jovem instituição, que deu lugar a atual escola de engenharia da Universidade Federal Fluminense. Lá se vão 51 anos, o que não é pouca coisa.
As condições materiais da escola eram precárias. Mesmo com muito esforço, o fundador e diretor da escola, o saudoso Engenheiro Octávio Reis de Cantanhede e Almeida, não conseguia arrancar recursos razoáveis do governo do antigo Estado do Rio de Janeiro, que então patrocinava a escola. O corpo docente, no entanto, supria com dedicação as carências materiais. Ali se faziam experiências para a modernização do ensino da engenharia no Brasil, que muito necessitava disso após o boom desenvolvimentista do quinquênio de Juscelino. Ousaria afirmar que tivemos um curso primoroso.
A Petrobrás, então ainda uma empresa estatal em formação e com acento grave no seu a, produzia poucas centenas de milhares de barris de petróleo por dia. Preparando seu quadro técnico, promovia, ao final de cada ano letivo, nas escolas de engenharia, provas para classificar e recrutar formandos que tivessem interesse em ingressar na empresa. Carlos, entre outros, topou o desafio e o risco de vincular sua vida profissional a uma estatal que apenas se organizava para disputar mercado com gigantes internacionais. Classificou-se e foi mandado para a Bahia fazer um curso-treinamento numa das áreas da engenharia de petróleo.
Penso que deva ter se saído bem. Durante nosso curso foi sempre destaque. Era a ele a quem eu recorria para repor matérias que eventualmente perdesse na minha agitada vida de professor de “cursinho”, atividade que mantinha minha economia pessoal. Numa das poucas vezes em que o encontrei após nos formarmos, num restaurante em Brasília, ele era o típico executivo de uma grande e bem sucedida empresa. Mesa com muitos convivas alegres, bem vestidos senhores de meia idade, o que me levou a imaginar que eram seus colegas de trabalho. Naquela ocasião, a seu convite, fomos para um canto reservado e rapidamente atualizamos informações dos vinte ou mais anos que se haviam passado desde nossa formatura. Um tanto orgulhoso, confidenciou-me que estava cotado para ocupar diretoria na empresa. Felicitei-o com a certeza de que fora sua capacidade que o levara até ali e que continuaria firme no caminho da realização pessoal e profissional. A Petrobras já era empresa vencedora e suporte do desenvolvimento do Brasil.
Passei a acompanhar, com mais atenção, a trajetória do colega e tivemos ainda rápido encontro num congresso em Salvador, no qual ele era um dos palestrantes. O mesmo entusiasmo com o trabalho, com a empresa e com a certeza de que dava contribuição expressiva para o país, que chegava a produzir um milhão de barris dia.
Cabeça branca, como a minha própria, face encarquilhada comum aos que deixaram para trás a marca dos 70, andar menos firme, pés arrastados. Tudo comum e próprio da nossa fase na vida. Contudo, os velhos não precisam ser tristes e eu vi no olhar, na expressão e na fala do meu colega, profunda e comovente tristeza. Cheguei a cogitar que ele poderia estar sofrendo de algum mal, desses que acometem os idosos preparando-os para o fim da linha.
A rápida conversa com a atendente responsável pelo atendimento aos passageiros promoveu troca de assentos, o que nos permitiu que viajássemos lado a lado.
Logo, nossa conversa deslizou para o tema do momento: petróleo, lava-jato, corrupção. Devo ser sincero: gostei da oportunidade de ouvir a opinião de alguém “de dentro”. Não precisei perguntar. Carlos, eu penso, precisava desabafar:
- Alguns desses colegas estavam chegando à empresa quando eu arrumava as malas para sair. Muitos eram engenheiros como eu. Via neles o mesmo espírito que tinha quando ingressei na empresa. O desejo de servir ao país, ser exemplo de eficiência e de seriedade. Hoje os vejo pela televisão, presos ou com tornozeleiras, humilhados, chamados de ladrões. Isso está acabando comigo. Sinto vergonha! A pior das vergonhas. A vergonha pelo o que outros fizeram.
Com a voz embargada pela emoção, seus olhos encheram-se de lágrimas. Outras informações, que penso nunca foram veiculadas pela imprensa me foram dadas, mas que não cabe aqui comentá-las. Nossa conversa continuou até nos despedirmos no saguão do aeroporto, onde seu filho foi lhe buscar. Trocamos um longo e sentido abraço.
Como cidadão e engenheiro, formado numa época em que tínhamos certeza do destino grandioso do Brasil, pude entender o desânimo do meu colega, que é o mesmo que enfrento.

“A pior vergonha é a que sentimos pelos erros dos outros”.


Texto publicado na revista Voz do Engenheiro do Sindicato dos Engenheiros de Brasília



terça-feira, 16 de junho de 2015

Engenheiro no comando da recuperação econômica

Matéria publicada na Voz do Engenheiro, revista do Sindicato dos Engenheiros do Distrito Federal, edição junho 2015

Eng. Danilo Sili Borges

Os engenheiros, por força da profissão, estão à frente da maior parte das atividades produtivas do país. Nos últimos trinta anos têm enfrentado inúmeros planos econômicos, de todos os matizes: ortodoxos, heterodoxos, feijão com arroz, bala única, frango a um real, verão e diversos outros. Nem os engenheiros, nem a população têm deles boas lembranças.
A expressão plano econômico desgastou-se nos naufrágios sucessivos. Os recentes não têm recebido o pomposo título. O penúltimo foi denominado simplesmente de Nova Matriz Econômica com dois objetivos. Primeiro, estimular a aquisição de bens duráveis, carros e eletrodomésticos, para ativar a atividade econômica. Durou pouco, mas deixou muitos males. O segundo alvo foi alcançado, a reeleição da Presidente da República. Na época em que parecia que a solução jabuticaba fosse perfeita  –  a crise europeia passava pelo auge – , sugeriu-se que a Alemanha usasse a Nova Matriz para encaminhar a solução para aquela região. Bravatas para consumo interno.
O atual Ajuste Fiscal, também não recebeu explicitamente o status de Plano Econômico.
Desta vez, como de algumas outras, o comando está nas mãos de um engenheiro. A formação universitária básica de Joaquim Levy é a de engenharia naval pela UFRJ. Muitos colegas, ou seguindo vocação para questões econômicas, ou por encontrarem mais frutuoso mercado de trabalho nessa atividade, fazem opção pelas ciências econômicas.
O engenheiro Levy efetuou estudos em sua nova área de interesse na FGV e posteriormente na Universidade de Chicago. E faz belíssima carreira.
“Uma vez Flamengo, sempre Flamengo” diz a o hino do mais querido. Engenheiro também é assim, uma vez engenheiro, sempre engenheiro. Quero dizer com isso que o talentoso ministro sabe que a confiança na economia de um país se baseia na sua capacidade de realizar obras, de produzir competitivamente, da disponibilidade de seus recursos naturais, da competência do seu segmento laboral. As inconsequências perpetradas por qualquer governo, principalmente em suas contas, não têm o poder de inviabilizar a economia real, ou sequer de danificá-la permanentemente.
A palavra chave do nosso momento econômico é confiança. Em sua busca está o ministro em todos os seus périplos, os internacionais, os nacionais e os “congressuais”, isto é, em suas constantes visitas ao parlamento brasileiro na tentativa de alinhar o político ao econômico.
Investidores sabem que as potencialidades do Brasil continuam intactas: recursos naturais, grande mercado interno, capacidade empreendedora, sistema financeiro sadio, sociedade que não se deixa encantar pelo bolivarianismo. E isso é bom para investimentos de médio e longo prazo.
Por outro lado, especuladores que operam agilmente nas altas e baixas dos mercados procuram adivinhar os movimentos de curto e curtíssimo prazo. Esses consultam sempre seus oráculos, o principal deles as agências de previsão de riscos, que realmente têm capacidade de direcionar fluxos de capitais especulativos, por meio de suas notas e análises.
Engenheiros são treinados para resolver problemas com os recursos e os condicionamentos existentes. É verdade que a situação financeira do governo, com contas pedaladas e maquiadas, está contaminando a economia real.
Os investidores experientes sabem que as melhores aplicações se fazem nos momentos de mercados em baixa e aplicam no longo prazo e no crescimento dos empreendimentos.  Já os especuladores avaliam qual o menor prazo para manterem seus capitais aplicados de modo a terem lucros maximizados. Entre os dois grupos as expectativas são diferentes.
O problema atual é corrigir as contas enviesadas do governo e evitar que contaminem ainda mais a economia real. A tarefa é gigante. Usando os meios disponíveis tentam-se resolver os desequilíbrios,  reduzindo gastos, não diretamente os do governo, que tem custos altos: 38 ou 39 ministérios, muitos milhares de cargos para militantes políticos, corrupção, máquina pública ineficiente e de baixa criatividade, mas transferindo a conta do ajuste econômico para os trabalhadores, reduzindo direitos sociais duramente conquistados por décadas, aumentando a carga tributária e os preços administrados pelo governo. A mão deveria pesar mais nos que mais têm lucrado, cujo exemplo, pronto e acabado, é o dos bancos. Isso, no entanto, é tarefa para estadista.

Como velho engenheiro, entendo que o ministro engenheiro/economista está procurando resolver o problema com as ferramentas disponíveis. As recentes aprovações pelo congresso não encerram o rol de medidas restritivas que o Plano Levy pretende. Mas para delas fazer uso terá contínuos enfrentamentos com o mundo político, que não me parece estar disposto a dar outros tiros no pé. Afinal, as ruas estão atentas e as panelas prontas para se fazerem ouvir.

Boa sorte Ministro.


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Livro precioso para os "barrageiros"

O Eng. Civil Geraldo Magela Ferreira acaba de lançar o livro Projeto de Usinas Hidroelétricas  -  passo a passo. A obra preenche lacuna no mundo editorial da engenharia, disponibilizando a experiência do autor em mais de 40 anos no setor, para servir de apoio aos colegas dedicados ao projeto e a construção de hidroelétricas.
A competência brasileira nesse campo é mundialmente reconhecida, apesar dos erros estratégicos cometidos por alguns governos que minimizaram a importância da geração de energia por via hídrica, o que nos levou ao "apagão" dos anos 90 e às dificuldades atuais, provocando o uso intensivo de termoelétricas, com custos elevados financeiros e ambientais.

PROJETO DE USINAS HIDRELÉTRICAS - passo a passo.
Geraldo Magela Pereira. 2015



RESUMO
O livro “Projeto de Usinas Hidrelétricas – passo a passo” foi organizado com o objetivo de tentar facilitar o desempenho da vida profissional das novas gerações de engenheiros que venham a ingressar no Setor Elétrico, englobando em um texto único todas as disciplinas que o projeto envolve, com uma visão generalista do projeto e incluindo a legislação, destacando a importância que os reservatórios têm desde a antiguidade. Os capítulos foram organizados com base na experiência do autor e neles encontra-se um mínimo da teoria de cada disciplina, seja da engenharia civil (topografia, hidrologia e hidroenergia, hidráulica, geologia e geotecnia), da engenharia mecânica e da engenharia elétrica, bem como da engenharia ambiental. O Capítulo 1 aborda a “História das Usinas Hidrelétricas”. O Capítulo 2 trata do “Planejamento da Geração de Energia Hidrelétrica e das Fases de Estudos”, por bacia hidrográfica e considerando os usos múltiplos da água, incluindo a Avaliação Ambiental Integrada da bacia. O Capítulo 3 trata dos “Tipos de Usinas e Tipos de Arranjos”. O Capítulo 4 apresenta os “Estudos Hidrológicos e Energéticos”. O Capítulo 5 apresenta os Estudos Geológicos e Geotécnicos. Os capítulos seguintes, 6 ao 8, abordam o dimensionamento das as estruturas definitivas do aproveitamento hidrelétrico: Capítulo 6 “Barragens”; Capítulo 7 “Vertedouros”; Capítulo 8 “Circuito Hidráulico de Adução e Geração”, incluindo: Canal de Adução, Tomada de Água, Conduto(s) Forçado(s), ou Túnel de Adução, Chaminé de Equilíbrio, Casa de Força e Canal de Fuga. O Capítulo 9 apresenta os “Equipamentos Mecânicos” da usina: Comportas, Válvulas e Turbinas. O Capítulo 10 apresenta os “Equipamentos e Sistemas Elétricos”, os Geradores, o Arranjo Geral das Unidades, os Transformadores, os Sistemas Auxiliares Elétricos, os Sistemas de Proteção, a Subestação da Usina e a Interligação ao Sistema de Transmissão, bem como um resumo dos aspectos relacionados com a Operação e Manutenção da Usina. O Capítulo 11 trata do “Planejamento da Construção” da usina, incluindo o Projeto de Desvio do rio, bem como o Cronograma das Obras e às Modalidades de Contratação atualmente praticadas no país. Finalmente, o Capítulo 12 apresenta um resumo sobre os Riscos associados aos aproveitamentos hidrelétricos e a Gestão do Patrimônio das Obras Hidráulicas, incluindo um resumo dos principais acidentes ocorridos com barragens pelo mundo.
O livro pode ser adquirido em livrarias especializadas ou nos sites
e-commerce Fernanda Abreu: site@ofitexto.com.br
livro papel Verônica Silva: atend@ofitexto.com.br
site da editora: www.ofitexto.com.br

RESUMO DO CURRÍCULO DO AUTOR
GERALDO MAGELA PEREIRA

Engenheiro Civil (UnB – Junho de 1974) com 40 anos de experiência em projetos de usinas hidrelétricas, nas áreas de geotecnia, hidráulica, incluindo estudos hidráulicos em modelos reduzidos, arranjos e planejamento da construção, coordenação de projetos (25 anos), nas fases de: Estudos de Inventário, Estudos de Viabilidade, Projetos Básicos e Projetos Executivos. Nos últimos 20 anos, após as mudanças institucionais no Setor Elétrico, participou ativamente na área comercial no desenvolvimento de propostas e negócios para o desenvolvimento de empreendimentos em contratos tipo EPC. Principais projetos: UHE Balbina (250 MW); UHE Rosana (320 MW); UHE Tucuruí (1ª fase-4.000 MW), incluindo o treinamento da equipe de operação as 23 comportas do Vertedouro; UHE Santa Isabel Alta (2.200 MW); UHEs Salto da Divisa e Itapebi; UHEs Canoas I (72 MW) e Canoas II (82,5 MW); diversas PCHs totalizando 1.000 MW, aproximadamente; Coordenou para a ELETROBRÁS (1997/1998) a revisão do Manual de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Diversos Estudos de Inventário, sendo os principais: rio Sucuriú (MS), rio Tocantins (TO), rio Teles Pires (MT).





domingo, 22 de março de 2015

O Petrolão e os Engenheiros

Matéria publicada na Voz do Engenheiro, revista do Senge-DF, edição de jan/fev 2015

Eng. Danilo Sili Borges
A sociedade brasileira tem assistido aos desdobramentos investigativos do chamado Petrolão, a corrupção milionária e desenfreada descoberta na Petrobras. Para a totalidade dos brasileiros, os fatos cotidianamente divulgados pela televisão e demais mídias têm efeito demolidor sobre o orgulho que temos da maior empresa brasileira, criada por pressão das ruas, quando ainda era incerta a existência de óleo no subsolo nacional, aí pelos anos 40 e 50 do século passado.
 Para os engenheiros a vergonha e a indignação são ainda maiores, pois a roubalheira se tem dado nas atividades de engenharia, dentro de empresa pública de engenharia, a Petrobras, em conluios com as maiores empresas particulares de engenharia do país. Peça chave das investigações é um engenheiro, que apanhado nas falcatruas se propôs a utilizar o instituto da delação premiada na tentativa de atenuar possíveis consequências da sua ficha criminal. Esse colega encontra-se atualmente em prisão domiciliar, segundo a imprensa, controlado por tornozeleira eletrônica.
Os engenheiros têm sido, por esses fatos, vítimas de bullying. Com frequência somos alvo de chacotas, obrigados a ouvir coisas do tipo, êta profissão de quadrilheiros.
Dispõem os engenheiros de sistema de fiscalização das atividades da engenharia e da conduta ética dos profissionais e das empresas de engenharia, ambos os grupos obrigados por lei a estarem inscritos nos Creas para poderem operar em território nacional, promovendo atividades de interesse da sociedade, segundo o artigo primeiro da Lei 5194, que regula essa profissão. Cabe, portanto, ao Sistema Confea-Creas zelar pela lisura das atividades dos engenheiros e das empresas da área.
É claro que crimes, como os que estão sendo competentemente apurados pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pela Justiça Federal transcendem às atribuições legais do sistema profissional dos engenheiros.
 Dois pontos serão aqui levantados, no que se refere à ação do Sistema Confea Creas, primeiro como órgão fiscalizador, que segundo a lei, deve ter em seus arquivos o registro dos contratos que ora estão sendo investigados, por se tratarem de contratos no âmbito da engenharia. Se o sistema profissional dispõe dos registros, estranha-se que eles não tenham servido como fatos inibidores das falcatruas; se não os tem anotados (ARTs), o Sistema põe a nu sua incompetência para defender a sociedade como lhe é atribuído pela lei.
O segundo ponto a ser levantado diz respeito ao futuro. O grupo de empresas arroladas no processo que tramita na Justiça Federal, no Paraná, é constituído pelas maiores empresas de engenharia do Brasil. Já se ouvem vozes de autoridades dos poderes constituídos, criando a nova tese de que devem ser punidas as pessoas físicas envolvidas, mas que as empresas sejam postas a salvo de punições para que possam continuar a operar nas grandes obras nacionais, sob o falso argumento, de que sem elas as obras de infraestrutura parariam em prejuízo do desenvolvimento nacional. Balela!
O Brasil tem dezenas, talvez centenas de empresas que podem assumir as obras em andamento e que não estão comprometidas, isto é, que não participam do clubinho do Petrolão e que podem rapidamente dar continuidade às obras. As importantes doações que possivelmente têm sido feitas às campanhas eleitorais não podem servir de blindagem às empresas corruptoras. Até porque as polpudas doações, se realmente foram feitas, o foram com recursos provenientes de falcatruas, portanto dinheiro do povo brasileiro, numa espécie espúria de financiamento público das campanhas eleitorais.
Ao Sistema Confea Creas cabe, em função do resultado das apurações judiciais, suspender ou cancelar os registros dessas empresas, de modo que não mais possam operar no Brasil, provisória ou definitivamente. Principalmente se os órgãos fiscalizadores do governo não as considerarem inidôneas.
O engenheiro delator, em alto e bom som, declarou que de modo semelhante às maracutaias apanhadas na Petrobras, outras ocorrem em “todos” os setores da atividade pública que lidam com serviços de engenharia. Cabe às autoridades apertar os controles e aos Creas intensificarem as fiscalizações, cumprindo os preceitos das Leis 5194/66 e 6496/77.

Na esmagadora maioria os engenheiros não são bandidos e as empresas de engenharia não são quadrilhas, mas todos devem ser exemplarmente fiscalizados e punidos quando for o caso. 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Economia real, economia de papel e economia de conversa

Artigo publicado no Voz do Engenheiro, jornal do Sindicato dos Engenheiros de Brasília -SengeDF

Engenheiro Danilo Sili Borges
Os países realmente produtivos, os que possuem indústria, agricultura e serviços eficientes, estão se dando bem. A Alemanha, em plena crise europeia e passadas poucas décadas da dispendiosa unificação da nação germânica, continua equilibrada economicamente e puxando os demais países europeus para tirá-los do atoleiro. Como para isso é necessário seriedade, trabalho e renúncia a artifícios e fantasias, muitos países daquele continente têm reagido às suas prescrições e pressões.
Há alguns meses, importante autoridade brasileira pretendeu ensinar aos germânicos a tirar a Europa da crise, aumentando o consumo sem atentar para o necessário equilíbrio econômico. Ninguém a levou a sério.
A China é outro exemplo. Constituiu poderoso parque industrial em poucas décadas e é hoje país líder, apesar das conhecidas contradições entre a economia capitalista e o regime político autocrático.
Poderiam ser lembrados os êxitos de outros países asiáticos. Em todos os casos, a produção competitiva é a pedra de toque.
Claro que restrições a esse ou aquele modelo político ou econômico são cabíveis, mas não é disso que se está tratando aqui.
O Brasil, na área de produção agropecuária, certamente é também um exemplo de economia real, com desenvolvimento lastreado no trabalho, no investimento inteligente, na ciência   e na tecnologia.
Economia real é aquela que se baseia na produção, que equaciona e resolve as questões da sociedade com soluções de longo prazo, resultado de planejamento consistente e de trabalho.
Os Estados Unidos, apesar de toda sua riqueza e poder, durante décadas têm deixado escapar parte significativa do seu sistema produtivo para a Ásia. Consideráveis parcelas de seus fatores de produção emigraram. Questão de produtividade, principalmente, devido a salários.
Percebe-se que a economia americana não vai bem, apesar do insuperável desenvolvimento científico e tecnológico do país. Episódios de insucesso da economia de papel, como o sempre lembrado case das hipotecas imobiliárias, vão corroendo a credibilidade daquela economia.
A economia de papel, aquela que movimenta valores puramente escriturais, sem o lastro da riqueza material, real e palpável, pode até ser muito conveniente em alguns poucos casos.
Os Estados Unidos são o exemplo pronto e acabado do que se afirma. Em Bretton Woods (1944) o dólar passou a ser a moeda para as transações internacionais e o governo americano garantia sua paridade com o ouro. Em 1971, o presidente Nixon rompeu de vez a paridade dólar-ouro e de forma definitiva impôs à economia global sua moeda como o meio das trocas comerciais entre países, tornando o dólar como uma “quase riqueza” e, por consequência, formidável reserva de valor.
  
Ao substituir o lastro em ouro, a aceitação do padrão dólar estava assente em alguns pilares: em primeiro lugar, a credibilidade do país após a 2ª Guerra; sua pujança econômica; sua capacidade bélica de fazer com que todos rezassem pela cartilha da moeda verde. O dólar tem dado, a quem o tem emitido por décadas, imensa alavancagem no desenvolvimento, e sem inflação apreciável, tendo em vista a procura obrigatória que a moeda tem por todo o globo. Mas talvez tenham esticado demais a corda da economia do papel verde.
O atual presidente americano vem procurando reconstituir o poder fabril do país, fazendo apelos para o retorno das indústrias e incentivo para a formação de mais engenheiros.
No Brasil, diariamente vemos na imprensa escrita, televisada e na internet um sem número de análises econômicas, ora com previsões, ora com justificativas pela não ocorrência daquelas. Esse é o campo da economia de conversa: “o BC faz leilões de dólares para evitar a desvalorização do real”; há alguns meses o mesmo BC “entrava comprando dólares para evitar que o real se sobrevalorizasse”; “temos reservas em dólares para bancar o jogo do mercado de câmbio” e outras manifestações do gênero. Ações de política econômica deveriam, na realidade, estar traduzindo operações da economia real e protegendo-a. Temos demasiadas jogadas financeiras e produção e seriedade de menos. Enquanto isso, sentimos na pele as consequências de um país com péssima e insuficiente infraestrutura e com a produção caindo.
O que por aqui se fala de economia real são concessões de exploração de rodovias, de aeroportos, do pré-sal. Tudo feito com muita pressa, para facilitar a entrada de dólares para equilibrar a balança e o investimento, que é pífio.
Quem não emite dólares tem de produzir bens reais em quantidade, com qualidade e produtividade, caso contrário, submerge na competitiva economia global.

Economia real é o que os engenheiros sabem fazer.  O blá, blá, blá da economia de conversa mole têm inevitável encontro marcado com a verdade. Quem não produz, ou não produz bem, acaba no buraco.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Dia do Engenheiro, uma reflexão.

Fica autorizada a reprodução desta matéria, desde que citada a autoria e o endereço deste blog

Engenheiro Danilo Sili Borges
Décadas de lutas dos nossos colegas do final do século XIX e início do século XX, com muitos serviços prestados ao país, como por exemplo, o episódio da Água em seis dias, protagonizado pelo notável engenheiro Paulo de Frontin no início do ano de 1889, o mesmo ano da Proclamação da República. Ou a construção da Estrada de Ferro Paranaguá – Curitiba, concluída em 1885 e estendida em 1892 até Antonina.  Competência  e serviços ao país levaram ao reconhecimento da engenharia  e a  regulamentação profissional há exatos 80 anos.
Poderíamos trazer aqui infindável rol das realizações da engenharia brasileira: o sistema rodoviário nacional nascido no curtíssimo Governo Linhares, por sugestão do seu ministro de Obras Públicas, Maurício Joppert da Silva, que através da lei que levou seu nome (na realidade um decreto), criou as condições para que o Brasil se integrasse fisicamente; Barragens como Itaipu, Tucuruí e tantas outras; A construção de Brasília, que a coragem, a capacidade técnica e administrativa de Israel Pinheiro, de Joffre Mozart Parada, de Bernardo Sayão e de grandes equipes de colegas nossos, possibilitaram materializar os projetos arrojados dos nossos notáveis urbanistas e arquitetos, no tempo previsto;  As comunicações de qualidade, a energia que chega a cada casa, a cada indústria; A produção agrícola que nos atende e que gera divisas.
Poderiamos escolher o caminho da mágoa e da lamentação, lembrando que durante décadas recentes muito da expertise acumulada foi destruída por decisões governamentais erradas. Recentemente membro do governo assacou contra nós a culpa por atrasos de obras, mal conduzidas pela sua própria administração. Mas não vou seguir por esses caminhos, seja o do orgulhoso ufanismo, seja o da lamentação dolorida, ainda que justa.

Preferimos pedir aos colegas que reflitam sobre alguns temas, todos de muita simplicidade, que alinhavamos a seguir. Devemos:  

Tratar da engenharia como profissão única, evitando nos dispersarmos pelas nossas especialidades. Quando tivermos que declinar nossa profissão, sejamos engenheiros, e ponto final.

 Recusar sempre a deferência que nos fazem, tratando-nos por “doutor”. Fixemos a nossa inserção na sociedade como Engenheiros, e só.


 Evitar participar de situações antiéticas ou aéticas, pois isso acaba por se refletir no conceito da engenharia globalmente.

Sempre nos impormos pela nossa competência profissional. Para isso, o estudo permanente é fundamental.

Participar ativamente das nossas entidades representativas, exigindo que elas procedam sempre com conduta democrática.


Sempre que nos couber dirigir ou participar de reuniões, encontros ou outros eventos, exigir o cumprimento dos horários previamente marcados. A impontualidade nacional é vergonhosa.

Ter sempre presente, em todos os serviços profissionais, o sentido social e cultural do trabalho do engenheiro.

A reflexão sobre a profissão, a sociedade, a política, a economia e o mundo devem formar o arcabouço da nossa ação profissional e pessoal. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

2º Encontro Nacional da CNTU


A Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados promove seu segundo encontro nacional, nos dias 5 e 6 de dezembro, no auditório do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, Rua Genebra, 25 – Bela Vista – São Paulo – SP.

O tema do encontro é Desafios do sindicalismo de profissionais universitários no Brasil.

Compareça ou assista, ao vivo, o Encontro pelo site www.cntu.org.br

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sinaenco de olho no futuro. O DF daqui a 25 anos

Fica autorizada a reprodução desta matéria desde que citadas a autoria e o endereço deste blog

Engenheiro Danilo Sili Borges

O Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco),  por sua regional do Distrito Federal, organizou no dia 20 de novembro oportuno evento denominado De Olho no Futuro: como estará Brasília daqui a 25 anos?
A excelente sede do Clube de Engenharia de Brasília às margens do Lago Paranoá recebeu autoridades do governo local, empresários, consultores, profissionais e acadêmicos para assistirem painéis sobre o futuro da capital. Esteve presente o Presidente do Sinaenco nacional, João Alberto Viol.
O presidente da regional local do Sinaenco, Sérgio Castejon Garcia, na abertura tomou para si o estabelecimento das diretrizes do encontro, discorrendo sobre o passado, o presente e o projeto para o futuro de Brasília.
Em seguida, a arquiteta Evelise Longhi, Diretora-Pesidente do Metrô/DF, discorreu sobre o planejamento da mobilidade urbana para os próximos 25 anos.
A mesa seguinte tratou da mobilidade e da infraestrutura urbana, que foi moderada pelo Consultor Antônio Augusto Rebello e teve como debatedores os engenheiros David de Matos, Secretário de Obras do GDF, Paulo Victor Rada de Rezende, Secretário Adjunto de Transportes do GDF, e o professor da UnB, Paulo César Marques.
Tendo como moderador o vice-presidente do Sinaenco DF, Fábio Araújo Nodari, o uso e ocupação do solo foi discutido pelo Diretor da Terracap Jorge Francisconi e pelo consultor Antônio Rebello.

O bem organizado evento deixou para este comentarista as seguintes observações:
·         Válida a proposta do encontro, que contou com o empenho e com a competência dos painelistas.
·         As questões da mobilidade urbana estão longe de serem equacionadas na nossa cidade. O crescimento do número de veículos, os cada vez maiores engarrafamentos,  a falta de estacionamentos, o péssimo transporte público que infelicitam o cotidiano do brasiliense e que o tornam preocupado com o futuro da cidade, também são compartilhados pelas autoridades e técnicos presentes. Mas não se pôde observar nenhuma proposta significativa e concreta para ser implantada no horizonte de tempo proposto.
·         Como preservar Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade sem engessá-la? Essa foi uma interessante questão levantada, mas que não foi objeto de aprofundamento, apesar da sua relação com a questão da mobilidade.
·         Ocupação e uso do solo foi tema focado nas questões conceituais, muito mais que nas do cotidiano, como maior facilidade, através de normas claras, para regularização e parcelamento das terras particulares, evitando-se a ocupação desordenada e não autorizada, como hoje se observa no DF.
·         Como o horizonte de 25 anos encontra-se dentro do contrato, bastante contestado, firmado pelo GDF (Terracap) com a empresa asiática Jurong Consultants, que supomos esteja fazendo estudos para o desenvolvimento do Distrito Federal para os próximos 50 anos, esperava-se que as linhas gerais desse projeto fossem apresentadas pelas autoridades governamentais. Somente ao final do último painel, de passagem, foi feita referência, pela arquiteta Evelise, ao trabalho da empresa asiática.
·         A comunidade técnica brasiliense deve dar maior atenção a encontros dessa natureza, tanto para se atualizar nas posições oficiais sobre diversos temas de interesse comum, quanto para se fazer ouvir sobre eles.

Presidente Sergio Castejon, valeu. Repita a dose. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Livro: A Engenharia em Goiás

Fica autorizada a reprodução desta matéria desde que citada a autoria e o endereço deste blog.

Engenheiro Danilo Sili Borges

Terminei prazerosa leitura do livro A Engenharia em Goiás, que me foi gentilmente enviado pelo Engenheiro Gerson de Almeida Taguatinga, presidente do Crea-GO. A publicação tem o patrocínio do Confea e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás.
Mais, muito mais que a história da engenharia naquele estado a obra trata da história de Goiás do ponto de vista da sua engenharia.
Pelo índice mostrado ao lado se pode ver a amplitude da abordagem feita. A mudança da capital do estado para Goiânia, a construção de Brasília, os arrojados planos da integração fluvial e ferroviária entre o centro-oeste e o norte do Brasil, que se tivesse sido realizada como previsto teríamos há muito mais tempo o resultado do desenvolvimento do interior do Brasil.
Mineração, energia, estradas e tantos outros aspectos são estudados de modo preciso do ponto de vista histórico e econômico.
Muitos protagonistas da engenharia em Goiás o foram também na história de Brasília, como não é demais lembrar Bernardo Sayão, Joffre Mozart Parada que estão presentes na obra com seus perfis de engenheiros competentes e realizadores.
Importantes relatórios técnicos estão publicados, em anexo, e são páginas que permitem aos profissionais mais jovens terem ideia do exercício da profissão através de algumas décadas no Brasil.

Recomendo fortemente a leitura dessa obra.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Político não joga conversa fora ou o leão e o gato

Esta matéria pode ser reproduzida livremente desde que citada a autoria e o endereço deste blog
Engenheiro Danilo Sili Borges

Semana passada os engenheiros brasileiros foram atacados por conhecido político como sendo incompetentes. Sei, por já ter vivido muito, que declarações de políticos nunca são gratuitas ou impensadas. Elas têm sempre um endereço, um objetivo estratégico a ser alcançado, talvez um serviço esteja sendo prestado a um chefe. Mesmo os menos brilhantes aprendem logo essa manipulação da mídia.
As reações das nossas entidades foram diretas ao ponto em que fomos atacados (exceto pelo Confea que preferiu não polemizar, que gracinha!!!). É preciso, no entanto, saber que objetivos as declarações, as felinas declarações, pretendem atingir.
Não nos esqueçamos de que no início da questão dos médicos algumas autoridades atribuíam àquela categoria profissional os males do sistema público de saúde no Brasil. A coisa evoluiu e deu no que deu. Tudo bem armado.
Pode ser também que o caos instalado nos aeroportos permaneça durante a Copa e os reais responsáveis pelo fracasso estejam tirando os seus respectivos da reta.
Alguns políticos são corajosos como leões. Seus objetivos mais facilmente são identificados, era assim Leonel Brizola, que por coincidência era engenheiro, que registrado Itagiba, trocou seu nome para Leonel, de acordo com suas características pessoais. Inteligente e irônico alcunhou muitos de seus desafetos com expressões, que pela propriedade, tornaram-se eternas.

Outros fazem da sutileza sua marca. Logo procuram uma família rica e importante para se protegerem e levar boa vida, mas assim que se sentem bem e alimentados, pulam a cerca. Mas não perdem a sutileza, característica de toda a vida. Tem-se a impressão de que andam encostados nas paredes, silenciosamente, como verdadeiros gatos angorás. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Eleição para o SINAENCO

Recebemos da Chapa 2 para a eleição da diretoria do Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia Consultiva a solicitação de divulgação do seu prospecto de campanha. A entidade é de grande importância para a valorização da Engenharia e da Arquitetura nacionais, principalmente nesta época em que os problemas de infraestrutura e de mobilidade urbana assumem proporções gigantescas.
O espaço neste blog está disponível para a divulgação das plataformas eleitorais das demais candidaturas.


Sérgio Castejon Garcia é o atual presidente do Sinaenco-DF

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Professor de engenharia é “doutorzeco”?

Fica autorizada a reprodução deste artigo desde que citada a autoria e o endereço deste blog

Eng.Civil Danilo Sili Borges

Na edição de primeiro de maio deste ano, a revista Veja publicou artigo do conhecido economista e professor Claudio de Moura Castro intitulado O muro de arrimo do “doutorzeco”. Resolvi não trazê-lo, de imediato, a este blog, só o fazendo agora, de caso pensado, como segunda dose de uma vacina que provocou coceiras nas instituições de ensino que ministram cursos de engenharia e nos formuladores das políticas para o ensino superior do MEC. A reação contida, mas sentida é natural, afinal desnuda um dos pontos fracos da formação dos engenheiros no Brasil.
Há algum tempo, a questão levantada pelo articulista vem incomodando professores mais antigos de engenharia, doutores ou não, sensíveis para a necessária adequação entre a formação e o exercício profissional dos engenheiros. A engenharia, como as demais formações tecnológicas estão assentes em conhecimentos científicos, quer do domínio das chamadas ciências puras, quer das ciências próprias de especialidades profissionais.
As equipes docentes devem contar com professores em tempo integral e dedicação exclusiva, com relevantes formações em suas áreas científico-profissionais, pois eles é que trabalham nos avanços e nas inovações e isso também é engenharia. São indispensáveis, no entanto, os profissionais que fazem o exercício cotidiano da profissão, aqueles de alto desempenho nos projetos, canteiros de obras e nas plantas industriais. Estes estão faltando nas salas de aula dos cursos de engenharia, e há como que um bloqueio evitando suas contribuições à academia.
O desacerto está em querer estabelecer padrões únicos para avaliar docentes de áreas tão diferentes. O mundo não se reduz a publicação de papers. Afinal, universidade trata da complexidade de todos os diferentes assuntos, da universalidade das coisas. E isso não cabe numa forma.
Mais bom-senso, menos corporativismo, vaidades contidas dão a receita para eliminar as causas da coceira provocada pela publicidade dada à questão.

Acesse o artigo do professor Moura Castro O muro de arrimo do doutorzeco 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Eco Brasília, a nova revista

Fica autorizada a publicação desta matéria desde que citada a autoria e o endereço deste blog

Eng. Civil Danilo Sili Borges

Recebi  o primeiro número da revista Eco Brasíla produzida pelo competente jornalista Andrés Gianni.  A publicação, de distribuição gratuita, se propõe tratar a questão da sustentabilidade na sua acepção mais geral, tendo foco no meio ambiente, nos direitos humanos, na inclusão social e na cultura da paz.

A matéria da capa é uma entrevista exclusiva com Fritjof Capra, autor de O Ponto de Mutação, de o Tao da Física entre outros. Destacados intelectuais comparecem com matérias de interesse, dentre os quais Leonardo Boff.
Nesse primeiro número, avaliações dos resultados da Rio+20, passados algumas semanas do seu encerramento, quando a poeira já assentou, são valiosos para a formação de um juízo crítico equilibrado daquele evento e das perspectivas de suas consequências.

No portal www.ecobrasilia.com.br a revista pode ser baixada. Contato com o editor pode ser feito pelo endereço contato@ecobrasilia.com.br , inclusive para solicitar o exemplar em papel, o que vale a pena para se poder apreciar a sua excelente parte gráfica.

Andrés Gianni tem há muito tempo emprestado seu talento aos engenheiros, sendo o editor do jornal Voz do Engenheiro do Sindicato dos Engenheiros do Distrito Federal   e organizador do Prêmio Brasil de Engenharia com o mesmo sindicato.

Ao engenheiro cabe transformar recursos naturais em bens para a segurança e conforto da humanidade, usando os conhecimentos que as ciências disponibilizam. Certamente suas ações têm impactos na natureza e na sociedade. Por isso recomendo fortemente aos colegas a leitura sistemática da Eco Brasília.

sábado, 21 de setembro de 2013

Estradas. Ultrapassar é perigoso também no peso

Fica autorizada a re-publicação desta matéria desde que citada a autoria e o endereço deste blog

Eng. Civil Danilo Sili Borges
Excelente a apresentação feita pela Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem – ABDER sobre a tolerância nas pesagens de veículos de carga e coletivos nas balanças rodoviárias. Cumpre assim a ABDER a principal função dos órgãos de representação da engenharia que é a de subsidiar os governos nas suas decisões relativas às áreas técnicas para que se preserve o interesse público.
A exposição já foi apresentada ao Secretário Executivo do Ministério dos Transportes, Miguel Masela. Instituições de engenheiros e do governo estão agendando encontros para conhecerem em profundidade o tema. Elaborada para analisar as repercussões técnicas da Resolução 430/2012, que aumenta a tolerância nas cargas em até 7,5%, com pretensão de a aumentar para 10%, tanto na segurança das obras de arte (pontes, viadutos) quanto nos custos de recuperação precoce de estruturas e pavimentos, o trabalho acaba por traçar o panorama da rede rodoviária federal, estadual e municipal, com causas e consequências, lastreado em dezenas de pesquisas feitas em universidades brasileiras sobre o assunto.
Constam do documento as recomendações do TCU ao DNIT sobre os procedimentos para a segurança das estradas federais.
A densa apresentação contida em 38 lâminas não pode ser postada integralmente neste blog. Faremos alguns destaques. A ABDER, na pessoa do Engenheiro Júlio Xavier Rangel, Superintendente Executivo, dispõe-se a encaminhar por e-mail a integralidade da apresentação. Solicite pelo endereço abder@abder.org.br

Entre aspas  obtido das lâminas da exposição:
  •          Pela Resolução nº 430 ficou estabelecida margem de tolerância máxima de 7,5% até dezembro de 2013, tempo em que se estudará o assunto,....
  •          Um aumento na tolerância causa uma redução na vida útil dos pavimentos em forma exponencial;
  •         Nos Estados, a destinação de recursos  para as obras de conservação e rejuvenescimento dependem de um Orçamento Estadual  reduzido.
  •         Maior preocupação dos Órgãos Rodoviários Estaduais é com as pequenas pontes e viadutos, projetados e construídos no período de 1940 a 1988 quando a carga máxima de projeto estava fixada em 36 t. 
  •         Lembrem se que no período de 1950 a 1980 foram construídas a maioria de nossas rodovias e Brasília com seus viadutos e passagens de nível
  •         Os Estados tem ficado a míngua de recursos desde que terminou o Fundo Rodoviário Nacional (1988) e recentemente, ao ser reduzida a zero a incidência da CIDE nos combustíveis;



  •        Estamos falando sobre pontes e viadutos em rodovias asfaltadas, sem nos referir a milhares de pontes e pontilhões em madeira e vigas de aço existentes nas rodovias vicinais e municipais por nosso País.    Por essas passam nossa produção agrícola antes de chegarem aos troncos principais que levam aos portos e grandes centros.
  •          Diante da tendência de aumento do volume de tráfego e do incremento do peso total dos veículos circundantes, torna se preocupante a situação para as pontes existentes, principalmente as mais antigas Tese Henriette Baroni –UFRGS


              CONCLUSÔES:

  1.  Necessária uma ampla campanha para que sejam realizadas inspeção nos Estados em todas as Obras de Arte Especial antes de se aumentar a tolerância das cargas transportadas.
  2.  Alocação de recursos federais, estaduais e municipais para os reparos necessários e ampliação da capacidade de carga das pontes e viadutos construídos na vigência das Normas Brasileiras anteriores a 1988.
  3. Controle efetivo das cargas transportadas, com uma atuação da fiscalização 24 horas ao dia, ampliando se ao nível estadual o projeto de balanças em andamento na área federal.
  4. Proibição de emplacamento de veículos com capacidade de carga acima dos valores de carga máxima definida pelas Normas Brasileiras;
  5. Revisão do acordo firmado permitindo a carga no Brasil superior ao definido em nossas Normas;
  6. Retorno aos 5% de tolerância, que cobrem eventuais erros de pesagem nas balanças.