Senge-DF

Visite o site do Sindicato de Engenheiros de Brasília www.sengedf.com.br

domingo, 12 de dezembro de 2010

Faltam engenheiros na presidência dos países?

Desde 2008, com a eclosão da crise econômica nos Estados Unidos, os analistas procuram as raízes mais profundas do fenômeno. Além da ponta do iceberg que rasgou o casco do Titanic da economia ocidental – o financiamento desordenado do mercado imobiliário americano – outras arestas cortantes do bloco de gelo, chamado Realidade, vez por outra, ao longo destes anos, amergem e fazem outros furinhos na carcaça do já combalido transatlântico, lançado ao mar em Bretton Woods, 1944, e considerado durante 6 décadas insubmergível.

Os remendos que o comandante Obama mobiliza e que a atenta oficialidade - presidentes dos países desenvolvidos - cola ao casco não tornam impermeável a carcaça do Titanic moderno. Os motores parecem não ter força para levar a nau a um porto seguro. Os rebocadores da economia mundial, os países emergentes, que na realidade sempre puxaram, com o seu esforço e em troca de parcos pagamentos, o mastodonte marinho foram chamados, mas não estão conseguindo arrancá-lo do banco de areia que o prende ao fundo nesta viagem, que esperamos não seja a derradeira.

Sem sermos ou pretendermos ser analistas econômicos, a nossa formação profissional e a nossa longa vivência neste Brasil de tantas crises econômicas nos permite distinguir a economia de papel da economia real, a que produz bens e serviços para a sociedade. Aquela não produz nada e gera falsos valores a partir da especulação financeira, com títulos sem lastro trocando de mãos na velocidade da luz, que os computadores permitem.

Os engenheiros são os artífices da economia real. O premiado jornalista argentino Andrés Oppenheimer,  cujos artigos são veiculados em cerca de 60 países, replicados do Miami Herald, em 2005, antes portanto da catátrofe financeira, publicou, sobre o tema, o que reproduzimos abaixo e que recebemos já traduzido de um leitor deste blog.

Os engenheiros brasileiros que após décadas de desvalorização da profissão encontram-se ainda com a autoestima abalada devem ler o artigo e refletir para ver que a saída para uma economia sadia passa pela produção racional de bens e serviços de modo sustentável e que nós engenheiros é que sabemos fazer isso.

Os dados do artigo abaixo são de 2005, mas a realidade mudou pouco. 



FALTAM  ENGENHEIROS  PRESIDENTES
Por Andrés Oppenheimer


Uma das razões pelas quais a Ásia se converteu em uma fábrica do mundo é que, enquanto as universidades asiáticas estão formando um número recorde de engenheiros, suas pares em outras partes do mundo – incluindo os Estados Unidos – estão formando advogados, contadores e psicólogos.
Antes de compartilhar minha teoria de porque os asiáticos estão mais voltados para a Engenharia, vamos aos dados.
Segundo a Fundação Nacional de Ciência (NSF), dos Estados Unidos, em termos numéricos a China é a líder mundial na formação de engenheiros: graduam-se ali cerca de 220.000 por ano. Comparativamente, nos Estados Unidos graduam-se 60.000 por ano; na Coréia do Sul, 57.000; no México, 24.000; no Brasil, 18.000; na Colômbia, 11.000 e na Argentina, 3.000.
Outro estudo, da empresa consultora Engeneering Trends, mostra que, com relação a suas respectivas populações, o país que mais forma engenheiros “per capta” é a Coréia do Sul, seguida por Taiwan e Japão. A Colômbia está em 19.º lugar; Chile em 23.º; México em 24.º; Estados Unidos em 25.º; China em 30.º; Brasil em 35.º e a Argentina em 37.º.
Independentemente de como os contemos – e existe um certo ceticismo sobre esses dados, já que nem todos os países têm os mesmos parâmetros para outorgar graus em Engenharia – não há dúvidas de que os países asiáticos levam uma significativa vantagem.
“Ficar atrás (na formação de engenheiros) é perigoso, porque afeta a capacidade dos países de aumentar sua oferta de produtos manufaturados, diz o fundador da Engineering Trends, Richard Heckel. Os manufaturados são uma indústria de mudanças constantes. Se não há inovações, não há condições de competir”.
Os especialistas em desenvolvimento dizem que se um país quer ser uma potência industrial precisa de pessoas que possam produzir os bens existentes de forma mais eficiente e de pessoas que possam inventar novos produtos. Em ambos os casos necessitam de engenheiros.
Nos Estados Unidos o número de estudantes universitários de Engenharia está estabilizado: é maior do que foi em 1980, quando estava da ordem de 58.000, porém, menor do que no seu máximo em 1986, quando alcançou 77.000.
Na América Latina, a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) forma cerca de 620 psicólogos por ano, mas apenas 40 graduados em engenharia de petróleo. E a Universidade de Buenos Aires, na Argentina, forma 2.400 advogados por ano, 1.300 psicólogos e somente 240 engenheiros, segundo cifras oficiais.
O Ministro da Educação argentino, Daniel Filmus, disse-me horrorizado, em uma entrevista há alguns meses, que, ao tomar posse, descobriu que em seu país só se graduavam três engenheiros têxteis a cada ano. Desde então o Ministério da Educação criou um fundo apoiado pelo setor privado que oferece 30 bolsas por ano para estudantes de Engenharia e, imediatamente, recebeu 270 pedidos de inscrição, assinalou ele.
“Agora, todas as bolsas do Ministério da Educação são atribuídas a estudantes carentes que sigam Engenharia, ou alguma ciência exata ou estratégica para o país”, disse Filmus.
Que estão fazendo os países asiáticos para estimular os jovens a estudar Engenharia? Além de contar com uma demanda de mercado por engenheiros e em muitos casos com uma cultura que valoriza os cientistas e engenheiros quase como se fossem jogadores de futebol, os líderes asiáticos promovem o estudo da Engenharia, asseguram os especialistas.
“Em muitos países asiáticos, até nos mais altos níveis de governo se fala da importância da ciência e da Engenharia para alcançar o crescimento econômico”, diz Alan Leshner, presidente da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).
Depois de falar com Leshner me dei conta de que, enquanto o presidente da China, Hu Jintao, é engenheiro hidráulico e quase todo o Comitê Central do Partido Comunista Chinês é composto por engenheiros, em nossa parte do mundo quase não há presidentes que sejam engenheiros.
Nos Estados Unidos o presidente George W. Bush obteve licenciatura em História e um mestrado em Administração de Empresas. Na América Latina a maioria dos presidentes dos países é constituída de advogados, economistas, administradores de empresas, médicos clínicos, psiquiatras, comentaristas esportivos (como em El Salvador) ou militares (como na Venezuela).
Seria importante que se começasse a eleger presidentes que sejam engenheiros, como maneira de buscar a melhora desses países. Ou, o que seria ainda melhor, pressionar os advogados, economistas, psiquiatras e outros que estão nos governos, para que usem sua influência a fim de estimular mais jovens ao estudo da Engenharia.


*- * - * - * - *

Fonte:  Jornal “La Nacion” (Argentina) – 16.08.2005

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

4ª Jornada Cearense de Engenharia

Na última segunda-feira, 29 de novembro, o autor deste blog apresentou a palestra Escassez de Engenheiros e Importação de Cérebros nas 4ª Jornada Cearense de Engenharia. Na sua edição de 2010, o evento realizado pelo Clube de Engenharia do Ceará, liderado, como nos anteriores, pelo ativo engenheiro e professor Luiz Ary Romcy, tem o apoio decidido do Confea, do Crea-CE, da Mútua, da Secretaria de Infra-Estrutura do Estado do Ceará e da Universidade Federal do Ceará. Nas jornadas são discutidas as questões da engenharia e das suas interrelações com estado e com o Brasil.

O engenheiro Danilo Sili Borges apresentou sua visão sobre a propalada escassez de profissionais e a oportunidade de se facilitar, ou não, a entrada de profissionais estrangeiros, que classificou de acordo com a importância que eles poderão ter para o desenvolvimento do país, concluindo que devemos buscar no exterior, numa operação de "repatriamento" os cientistas e engenheiros brasileiros que foram "drenados" por países desenvolvidos. Defendeu ainda a importação de "cérebros", isto é, de profissionais estrangeiros de alta competência em áreas que necessitamos desenvolver e deu exemplos desse procedimento adotado no passado com êxito.
Os slides que apoiaram a palestra podem ser solicitados ao autor pelo e-mail danilosiliborges@gmail.com