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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Engenharia de Inovação é com o Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo

É permitida a reprodução deste texto desde que citada a autoria e o endereço deste blog
Eng. Civil Danilo Sili Borges

O desenvolvimento e a soberania dos países dependem umbilicalmente das suas engenharias. Desde a Revolução Industrial, é o domínio da tecnologia, mais que qualquer outro fator, que tem dividido o mundo em ricos e pobres, em fortes e fracos.
A recente retomada do desenvolvimento brasileiro em índices aceitáveis colocou a questão da engenharia brasileira no foco de muitas discussões. Surgiram então opiniões calcadas sobre estatísticas que concluíram que para o aumento do PIB de um certo valor, por determinado número de anos, ocorreria o chamado “apagão tecnológico”. Nem por isso as vagas existentes nos cursos foram preenchidas, nem a evasão passou a níveis civilizados. A juventude ainda não enxergou esse mercado de trabalho como promissor. Por quê?
Para responder a essa questão, devemos refletir sobre dois aspectos do exercício da engenharia. Um campo de trabalho para o profissional engenheiro é o que poderíamos chamar de engenharia de linha de produção, que é aquela em que cabe ao engenheiro gerenciar processos produtivos já estabelecidos e até melhorá-los. Os engenheiros, hoje formados no Brasil, atendem principalmente a essa demanda, que está intimamente relacionada com o nosso perfil de país dependente de tecnologia. Outra função da engenharia é a da concepção de novos produtos e de novos processos. É essa engenharia que subsidia o parque produtivo com projetos que geram bens que podem substituir os importados ou os produzidos aqui com tecnologia importada. É essa tecnologia que pode transformar o país de exportador de commodities em exportador significativo de produtos industrializados
Como sempre uma pergunta sobre um tema complexo tem respostas com múltiplas facetas:
Os cursos de engenharia, salvo poucas exceções, no Brasil, continuam a ser ministrados dentro da mesma proposta de Gaspar Monge e dos outros fundadores para a École Polytechnique de Paris, no já longínquo século XVIII, na França da época de Napoleão.
Os desafios profissionais da engenharia estão na área nobre da concepção de produtos e processos, que venham atender às demandas nacionais. Esta costuma ser provida por tecnologia requentada, comprada fora. A tecnologia de ponta, essa continua a ser exclusiva de quem a desenvolveu. E sem tecnologia adequada, não dá para concorrer no mercado internacional. Até mesmo no interno fica difícil de competir com os importados se não houver proteção tarifária.
Assim, além de aumentar o número de engenheiros e de melhorar a sua qualidade para o atendimento da rotina das unidades produtivas do país, é necessário preparar técnicos que possam trabalhar na concepção, o que se faz conhecendo-se os avanços científicos nas suas diversas áreas e aplicando-os na criação de novos produtos e processos. Aí é que nasce a riqueza e a soberania das nações. Um índice importante para se avaliar essa questão é o número de patentes registradas pelo país em relação ao número total registrado num determinado período de tempo. A nossa situação nesse particular está longe de ser brilhante.
O Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo – SEESP – resolveu enfrentar esse desafio, com ousadia, sem açodamento, com planejamento e competência. Há aproximadamente 18 meses, sob a coordenação do engenheiro Antônio Octaviano, ex-presidente da Federação Nacional dos Engenheiros, FNE, e com o indispensável apoio do presidente Murilo Celso Pinheiro, um grupo de engenheiros e de professores de engenharia começou a responder questões de como constituir uma Instituição de Ensino Superior, IES, abrigada no SEESP, para suprir a falta de engenheiros capazes de gerar novos produtos e processos, para que num prazo razoável o Brasil deixe de ser um exportador quase exclusivo de produtos com pouca agregação econômica. Tomou forma a ISITEC, uma escola de engenharia de inovação.
Dia 18 de janeiro de 2011, em concorrida Assembleia Geral Extraordinária, o Seesp aprovou a criação do ISITEC, que terá o sindicato como instituição mantenedora. Discutiu, alterou e aprovou os estatutos da instituição de ensino. A data será lembrada como o marco de um ponto de inflexão no ensino da engenharia em nosso país. Os documentos necessários a aprovação da nova IES no MEC estão em final de elaboração pelo Instituto Lobo para o desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia.
A equipe a quem cabe a organização da instituição é de altíssimo nível: seu Diretor Geral é o professor Roberto Leal Lobo e Silva Filho, ex-Reitor da USP e profundo conhecedor do ensino da engenharia; a Coordenação Pedagógica está sob a responsabilidade do Professor João Sérgio Cordeiro, atual presidente da Associação Brasileira do Ensino de Engenharia, Abenge, e professor da Universidade Federal de São Carlos; A Coordenação Geral está a cargo de Antônio Octaviano, engenheiro, administrador competente e que desde o início tem conduzido com proficiência o projeto; a coordenação administrativa está nas mãos de Fernando Palmezan, engenheiro, 1º Secretário do SEESP.
Na Assembleia de fundação do ISITEC, sentiu-se o clima de um evento com implicações históricas para a engenharia e para o Brasil. Para os interessados no ensino e na engenharia, aconselha-se acompanhar a trajetória da instituição.
A intenção expressa pelo Engenheiro Murilo Celso, presidente do SEESP e da FNE, é de que os primeiros cursos estejam começando no início do ano letivo de 2012. Feliz com o andamento da organização e respondendo a elogios que lhe foram dirigidos pela forma democrática da condução do processo, o presidente do Sindicato ensinou que ”para liderar, para dirigir não é necessário sisudez, pelo contrário, é preciso alegria, é por ela que se empreende com ampla participação”.