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sábado, 24 de setembro de 2011

O Voo da Humanidade, um grande livro

Terminei hoje de ler o excelente livro O Voo da Humanidade e 101 tecnologias que mudaram a face da Terra de José Carlos Amarante. O fiz com algum atraso já que a obra foi publicada em 2009 pela Biblioteca do Exército Editora. Tenho sempre uma fila de livros que estão na espera para serem lidos e eu não tive a perspicácia de mudar o trabalho citado para uma posição mais adiantada. Lamento.

Seu vasto currículo, resumido na orelha da capa, mostra ser o autor um homem estudioso. Doutor em Aeronáutica e Astronáutica pela prestigiosa Stanford University, com dois mestrados, Engenheiro Químico pelo IME, esse General do Exército Brasileiro, entre muitas das homenagens que recebeu merece que se destaquem a presença na lista de Outstanding Intellectuals of the 21st Century pelo International Biographical Center de Cambridge e também Great Mind of the 21st Century pelo American Biographical Institute. Entre suas ações como líder e administrador cabe citar ter sido Reitor do IME – Instituto Militar de Engenharia, e Presidente da Imbel uma, então bem-sucedida, indústria nacional de material bélico.

A apresentação do livro é feita pelo professor Pirró e Longo, um lúcido defensor do desenvolvimento científico e tecnológico nacional como fator de soberania.

Nas aproximadamente 400 páginas onde se desenvolvem seus onze capítulos, o leitor voa rápido e leve pela história da humanidade, sendo esta balizada por 101 tecnologias de impacto, escolhidas pelo autor segundo critérios racionais, bem explicados no texto. Essas tecnologias respondem a necessidades da humanidade, cada vez mais sofisticadas e são também mostradas com propulsoras do avanço sociocultural subsequente.

O último capítulo, o décimo primeiro, é um exercício de futurologia feito com base na sistemática apresentada no restante da obra. É uma leitura estimulante e agradável.

Seu maciço conteúdo permite que cada leitor encontre nele aspectos importantes e diferentes a serem ressaltados. Para alguns a história e a filosofia, para outros os aspectos técnicos de muitas das invenções, ou a valorização do conhecimento e da tecnologia para o sucesso de uma sociedade.

De minha parte destaco as observações do autor de que a maior invenção da humanidade foi a universidade, que ao absorver a pesquisa científica e torná-la indissociável do ensino, se tornou importante na aceleração do desenvolvimento científico e tecnológico; de que a ciência embasa os feitos tecnológicos e que a tecnologia provê os meios materiais, através dos equipamentos que cria, para que a ciência possa continuar a desvendar a realidade do universo, num ciclo virtuoso que sustenta o voo sem fim de que trata o livro aqui comentado.

O compêndio, acho que posso tratá-lo assim, além de ser lido, merece ser refletido e discutido. Trazendo para o nosso dia a dia, cabe a pergunta: a ciência e a tecnologia – as duas asas do voo milenar – têm tido na universidade brasileira musculaturas equivalentes, para que o voo se dê em linha reta e em grandes alturas, ou apenas a asa da ciência tem recebido muito mais a vitamina vitalizadora dos recursos públicos e assim, com sua lógica própria, sem levar em conta o bater desesperado da outra asa, tem conduzido essa instituição em nosso país? Para refletir.