Senge-DF

Visite o site do Sindicato de Engenheiros de Brasília www.sengedf.com.br

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Entrevista - Dia do Engenheiro

Ouça a entrevista concedida à Rádio Nacional Brasília FM, em comemoração ao Dia do Engenheiro, em 11 de dezembro de 2012.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Minerva, símbolo das engenharias

O blog Conversa de Engenheiro recebeu interessante texto do engenheiro Edvaldo Martins de Alcântara, sobre a deusa Minerva, cuja esfinge é símbolo das engenharias e o porquê dessa escolha feita no passado pelos nossos colegas:


CAROS COMPANHEIROS (AS)

QUERO CUMPRIMENTAR A TODOS PELO NOSSO DIA DO ENGENHEIRO 

GRANDE ABRAÇO





A Minerva tornou-se um símbolo que identifica os politécnicos, com suas insígnias: a lança, o capacete e a égide. É protetora e companheira, deusa guerreira, mas, ao mesmo tempo, deusa da sabedoria e da reflexão. Ela não vence seus inimigos pela força bruta, mas pelos ardis que inventa, pela astúcia e pela inteligência de seus estratagemas. Deusa guerreira, da sabedoria, das atividades práticas, mas também do trabalho artesanal de fiação, do espírito criativo e da vida especulativa, ela reúne aspectos fundamentais à formação do politécnico. A Minerva sintetiza duas dimensões do trabalho do engenheiro: a criação, por um lado, e a execução, por outro.




Dia do Engenheiro





sábado, 8 de dezembro de 2012

Dia do Engenheiro, 11 de Dezembro. Passeata de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos.

ATENÇÃO. A CAMINHADA TERÁ INÍCIO ÀS 12h30


O engenheiro José Roberto Senno, presidente da Associação Nacional dos Servidores Públicos Engenheiros (as), Arquitetos (as) e Agrônomos do Poder Executivo  Federal –ANSEAF – tem desenvolvido importante trabalho pela valorização dessas profissões . Com uma atividade incessante, o colega Senno tem conseguido importantes vitórias no Congresso Nacional.
Note-se que a valorização das nossas categorias no âmbito do Executivo terá imediata repercussão nos demais poderes e mesmo na iniciativa privada.
Transcrevo abaixo o convite (melhor seria convocação) da ANSEAF para uma passeata de sensibilização das autoridades no próximo dia 11 de dezembro, Dia do Engenheiro:

"CAMINHADA(PASSEATA) DOS ENGENHEIROS(AS), ARQUITETOS(AS) E URBANISTAS E ENGENHEIROS(AS) AGRONOMOS(AS)NO DIA 11 DE DEZEMBRO DE 2012 NA ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS, SAINDO DA CATEDRAL ÀS 11 HORAS CAMINHANDO ATÉ A PRAÇA DOS TRÊS PODERES. A caminhada é uma iniciativa da Associação Nacional dos Servidores Públicos Engenheiros (as), Arquitetos(as) e Agrônomos do Poder Executivo Federal. Quem puder comparecer, terá uma oportunidade para se manifestar pela melhoria das condições das referidas profissões e pela melhoria do Brasil."

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Alfredo Oton de Lima - Prêmio CIO Destaque - DF 2012


Este texto pode ser livremente reproduzido desde que citada a autoria e o endereço deste blog

Eng. Civil Danilo Sili Borges

Todos os engenheiros do Distrito Federal conhecem o nome OTON DE LIMA. Muitos dos onze filhos do casal Augusto de Lima formaram-se em engenharia: o saudoso Arino, competente executivo do Governo de Distrito Federal; EugênioLúcio e Alfredo.Conheço ainda a arquiteta Estela Maria e o médico Benício, ambos brilhantes em suas especialidadesOs engenheiros foram todos meus alunos na UnB, Arino e Eugênio formaram-se na primeira turma, em 1969. Tempos heroicos na nossa universidade.

As qualidades éticas e intelectuais dessas pessoas as fizeram destacarem-se ainda na fase de formação acadêmica. O sucesso de cada um na vida profissional surgiu como decorrência desses valores.

Tomei conhecimento de que o prêmio CIO DESTAQUE-DF 2012 foi concedido a Alfredo, um dos mais jovens do clã. Para quem não sabe, CIO é a sigla em inglês de Chief Information Officer. O prêmio foi criado pela IT4CIO Network Technology e é concedido a um CIO atuante no segmento de Tecnologia da Informação, que seja liderança reconhecida em sua região e em seu meio, identificado por pesquisas do Instituto Sem Fronteiras e/ou por indicação de outros profissionais da área através de votação.
 
Concorrem ao prêmio personalidades importantes e de reconhecida liderança no setor de TI, atuantes no Distrito Federal e Centro Oeste, em empresas privadas ou entidades públicas, nas quais atue como principal executivo. Alfredo Oton é CIO da Procuradoria Geral do DF. Esta é a primeira vez que o prêmio é concedido a um profissional do GDF.

Pelo menos duas constatações, de caráter geral, podem ser feitas a partir do fato relatado:

1 – A formação eclética dos engenheiros permite que eles tenham sucesso em áreas não estritamente da engenharia. Isso se deve a boa formação desses profissionais. A categoria não deve transigir com o encolhimento do currículo na graduação (como tem sido feito) e deve exigir que os cursos de engenharia tenham qualidade, o que nem sempre é observado em cursos mesmo devidamente autorizados a funcionar pelas autoridades educacionais.

2 – A regulamentação das profissões deve ser menos rígida, permitindo migrações entre estudantes e formados em cursos diferentes, mas com afinidades. As legislações dos conselhos profissionais devem cuidar de não atender a pressões corporativas, que em nada beneficiam a sociedade, principalmente na atualidade, onde o conhecimento é cada vez mais disponível, não se justificando assim os guetos profissionais. O direito de fazer deve decorrer da competência e não de legislações de proteções corporativas.

Ao Engenheiro Civil Alfredo Oton de Lima os parabéns do Blog Conversa de Engenheiro.


domingo, 4 de novembro de 2012

Brasília + 50. Jurong não descobriu Cingapura

Este texto pode ser reproduzido livremente desde que citada a autoria e o endereço deste Blog

Eng Civil Danilo Sili Borges


Vou tecer algumas considerações sobre o contrato recentemente firmado entre o GDF e a Jurong Consultants.  Vou procurar não ficar repetindo o que já foi dito, contra e a favor do acerto, pela imprensa, por entidades de representação profissional e em casas parlamentares.
Não tenho nenhum posicionamento político partidário e não escolhi ainda candidato para o Buriti em 2014. As manifestações motivadas pelas posições políticas pró ou contra o acerto não entraram neste texto. Essas opiniões, regra geral, são muito pragmáticas e obedecem a razões de estratégias de poder que não me seduzem. Pelo contrário.
A primeira pergunta que faço é: Há no Brasil competência técnica para desenvolver um planejamento físico, econômico e social para os próximos 50 anos da nossa Capital?
Só há duas respostas possíveis: Sim ou Não.
Inicialmente, vamos seguir a resposta positiva – SIM, temos competência.
Claramente isso nos conduz a inquirir o porquê de o GDF ter ido procurar fora das nossas fronteiras, na longínqua Ásia, uma empresa para realizar esse trabalho. Não especularei com hipótese de vantagens pessoais, como tem sido aventado. Se considerasse essa hipótese, estaria entrando na seara político-partidária, terreno pantanoso.
 O que me ocorre, pelo que sei de Cingapura, é que esse país é um dos maiores centros financeiros do mundo. Talvez esteja aí a chave para entender a opção pela Jurong, mesmo na hipótese de haver expertise brasileira. Pode-se inferir que projetos executados pela Jurong teriam, em princípio, facilidades de acesso aos capitais necessários para sua implantação ao longo dos próximos 50 ou 60 anos.
A realidade que conheço, dos quase 50 anos de profissão, aponta em duas direções para procurar entender o casamento GDF-Jurong. Primeiro, sabe-se que o projetista do que quer que seja habitualmente especifica produtos e serviços de empresas ou profissionais a ele vinculados, o que é compreensível. Em casos de grandes empreendimentos a empresa projetista procura e aponta instituições que viabilizem, por empréstimo, os recursos para as aquisições e contratações. A segunda direção apontada, diz respeito aos investimentos, aos capitais de risco, a serem investidos nos empreendimentos gerados no projeto. No caso em tela, estamos falando de aplicadores em Bancos de Cingapura para a implantação dos negócios a serem projetados pela Jurong no DF. Estaríamos assim preterindo a expertise nacional, visando superar questões financeiras do futuro empreendimento.
Não posso me furtar a emitir minha opinião sobre as duas supostas vantagens na contratação da empresa de Cingapura. Obviamente, termos financiamentos vinculados a marcas, a produtos e a serviços estrangeiros é danoso para a economia nacional e regional. Quanto à hipótese de estarmos buscando capitais de risco nos bancos cingapurenses, só tenho a observar que esses capitais, ariscos e oportunistas, procuram as melhores opções para suas aplicações, sejam os empreendimentos projetados pela Jurong, ou pela Joaquim da Silva Engenharia e Arquitetura S/C. Assim, a meu ver, se temos competência não há razão para entregarmos o projeto aos distantes estrangeiros.
Vamos agora explorar alternativamente o entendimento, aliás, pouco provável, de que não temos expertise para projetar o desenvolvimento do DF para as próximas cinco ou seis décadas.
Pergunto: a melhor solução é a compra desses serviços fora? Se isso for feito continuaremos sem ter o conhecimento desse assunto. Temos feito isso, é verdade, com certa frequência. Cito dois casos recentes: 1. O sistema de TV digital comprado fora, ao invés de ter sido encomendado a universidades e a empresas brasileiras; 2. A intrincada questão do trem bala, cujo sistema está sendo comprado fora, quando poderia estar sendo desenvolvido por engenheiros brasileiros, que detentores do know how próprio, poderiam aplicá-lo em outros trechos, sem despesas de royalities. Não estou discutindo a oportunidade e a conveniência da implantação do trem bala entre Rio e São Paulo, que é uma questão sobre a qual já me manifestei publicamente.
 Se continuarmos assim, comprando pacotes fechados, não formaremos nunca grupos de pesquisa e inovação e vamos virar este século ainda como somente vendedores de commodities.
Se o problema é a falta de competência, ou se preferirem um termo menos chocante, de expertise, contratemos profissionais estrangeiros, de altíssimo nível, que nos possam passar seus conhecimentos trabalhando conosco. O mundo todo faz isso. Nós mesmos fizemos no passado, com êxito, nos primórdios da Petrobrás e do ITA. Basta ler sobre suas histórias para entender.
Questão interessante a ser observada é que a Jurong  Consultants tem sido apresentada pelos discursos oficiais como o fator do exponencial desenvolvimento de Cingapura. Poderíamos até pensar que como Cabral descobriu o Brasil, a Jurong descobriu Cingapura. E isso não é verdade. A Jurong é consequência e não causa do sucesso desse tigre asiático – os outros são Hong Kong, Tawian, Coreia do Sul.
Há trinta ou quarenta anos, esses países e também outros como a Finlândia e a Irlanda, resolveram programar o seu desenvolvimento para frutificar nas próximas décadas, tal como o GDF está a fazer agora. Um plano de desenvolvimento integrado para ser executado com pertinácia por décadas.
A escolha, no entanto foi bem diferente. Os países citados, entre outros, como a China e a Índia, acreditaram que o seu planejamento de longo prazo deveria estar assente na preparação intelectual de seus cidadãos e investiram fortemente em educação, principalmente na fundamental.
Professores desse nível de ensino foram e continuam sendo recrutados entre as melhores cabeças dos egressos das universidades, por concursos que se tornaram concorridos, quer pelos salários e demais condições econômicas, quer principalmente pelo prestígio social da profissão docente. O mesmo procedimento se deu nos demais níveis educacionais. Foi assim que Cingapura e a Jurong se tornaram importantes. A Jurong não descobriu Cingapura, o Brasil foi descoberto por Cabral e Brasília foi construída por Juscelino com Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Israel Pinheiro, Bernardo Sayão e tantos outros engenheiros, arquitetos e agrônomos.
Fica a sugestão. Se quisermos seguir algo que valeu para os países citados e se queremos planos de longo prazo, que tal pensarmos num sistema educacional baseado na meritocracia, na valorização de docentes, em condições dignas para professores, funcionários e alunos, em instalações adequadas. Tudo isso, que não é pouco, permitirá dar oportunidades iguais aos jovens brasileiros para daqui a alguns anos podermos abolir as políticas afirmativas, que são remendos, por vezes mal costurados, nas decisões erradas tomadas no passado.
De quebra, seremos donos dos nossos destinos.

domingo, 28 de outubro de 2012

Raio X das eleições 2011 do Confea e dos Creas

Este artigo pode ser reproduzido livremente desde que citadas a autoria e o endereço deste Blog

Eng. Civil Danilo Sili Borges

Depois de longa espera, conseguimos ter acesso, por interferência do Conselheiro Federal Kleber Santos, aos resultados das eleições para o Confea e para os Creas realizadas em outubro de 2011.
Como já se sabia, dos 970 mil profissionais inscritos no sistema profissional em condições de votar apenas 82 mil exerceram o direito de escolher os presidentes dos Creas e o presidente do Confea, isto é, pouco mais de 8% do potencial de eleitores.
A tabela abaixo permite que se possa ver a representatividade do presidente de cada um dos Creas e do presidente do Confea, que se elegeu com 3,97% dos votos possíveis.
Não é portanto de se estranhar que a engenharia e que as demais profissões regulamentadas e fiscalizadas pelo Sistema Confea-Crea estejam tão "mal na fita" das decisões sobre os caminhos do desenvolvimento social e econômico do nosso país. Desprestígio profissional é o nome disso.
Para nós o assunto não se encerra aqui, pelo contrário, estamos só começando. Vale refletir sobre a pergunta: a quem interessa o alheamento dos profissionais em relação ao seu conselho profissional?

Est ProfReg Votantes %Votantes PresCrea %Crea  PresConfea  %Confea
AC 1.613 465 28,83% 301 18,66% 136 8,43%
AL 7.177 1.029 14,34% 682 9,50% 679 9,46%
AM 11.708 1.475 12,60% 644 5,50% 512 4,37%
AP 1.692 550 32,51% 191 11,29% 260 15,37%
BA 51.031 3.191 6,25% 1.554 3,05% 1.445 2,83%
CE 17.614 1.654 9,39% 789 4,48% 833 4,73%
DF 18.551 1.089 5,87% 772 4,16% 89 0,48%
ES 23.087 2.621 11,35% 888 3,85% 1.108 4,80%
GO 24.584 2.715 11,04% 1.761 7,16% 1.252 5,09%
MA 10.205 985 9,65% 389 3,81% 213 2,09%
MG 112.402 7.317 6,51% 3.640 3,24% 3.182 2,83%
MS 11.137 1.373 12,33% 1.182 10,61% 891 8,00%
MT 14.857 2.500 16,83% 1.762 11,86% 1.558 10,49%
PA 21.666 1.422 6,56% 800 3,69% 766 3,54%
PB 9.649 1.739 18,02% 761 7,89% 952 9,87%
PE 24.699 1.923 7,79% 868 3,51% 653 2,64%
PI 5.561 1.349 24,26% 790 14,21% 197 3,54%
PR 64.386 6.597 10,25% 3.547 5,51% 491 0,76%
RJ 143.856 7.949 5,53% 2.655 1,85% 2.746 1,91%
RN 13.699 2.341 17,09% 852 6,22% 992 7,24%
RO 4.037 1.026 25,41% 520 12,88% 328 8,12%
RR 1.457 647 44,41% 307 21,07% 122 8,37%
RS 65.116 2.003 3,08% 1.780 2,73% 1.176 1,81%
SC 39.280 5.845 14,88% 3.065 7,80% 1.989 5,06%
SE 6.943 600 8,64% 468 6,74% 133 1,92%
SP 260.277 20.781 7,98% 12.392 4,76% 15.620 6,00%
TO 4.008 948 23,65% 566 14,12% 225 5,61%
CONFEA 970.292 82.134 8,46%     38.548 3,97%
Detalhes colunas:
EST  Estados e DF
ProfREG Nº de profissionais em condições de votar
Votantes Nº de votantes na eleição de 2011
%Votantes Relação entre nº de votantes e o nº de profissionais em condições de votar
PresCrea  nº votos pres eleito do Crea
%Crea Relação entre votação pres eleito e nº profissionais em condição de votar
PresConfea Votaçãopres eleito do Confea
%Confea Relação votação Pres eleito Confea e nº profissionais em condições de votar

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

UFCG - A universidade necessária


A Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, tem se notabilizado e adquirido o reconhecimento da comunidade acadêmica nacional e internacional pela notável qualidade das suas atividades. Desde sua fundação, ainda como parte da UFPB, o trabalho sério e bem articulado com sua comunidade, tem sido um exemplo de Universidade necessária, aquela que localiza as fragilidades da sua comunidade e usa a ciência e a tecnologia para superá-las.
A reportagem de uma emissora de televisão daquele estado mostra o trabalho do Professor Engenheiro José Geraldo Baracuhy na orientação de um trabalho de mestrado e outro de doutorado, por ele orientados, para o reuso de água de uma lavanderia comunitária no Distrito da Ribeira, município de Cabaceiras, no Cariri da Paraíba.
Numa região de recursos hídricos escassos, essas tecnologias desenvolvidas e difundidas pela UFCG terão importância na vida de inúmeras famílias.  
Acesse a reportagem clicando aqui

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Absurdo: Empresa de Cingapura é contratada para repensar Brasília


Perplexos e indignados estão os engenheiros, os arquitetos, os engenheiros agrônomos e todos os demais profissionais da área tecnológica. A contratação pelo GDF de uma empresa de Cingapura para projetar as necessidades de Brasília para as próximas décadas tem sido vista como um acinte a esses profissionais. A qualidade técnica dos brasileiros nas questões de engenharia construtiva, de urbanismo, de gestão técnica na prestação de serviços públicos e em tantas outras é reconhecida internacionalmente.
Nossos grandes problemas não estão nas áreas técnicas, mas nas políticas, principalmente na capacitação e no espírito público dos nossos políticos e dos nossos partidos. Como seria bom se pudéssemos importar essas qualidades. Talvez de Cingapura ou de qualquer outro lugar, para inoculá-las no sangue, no coração e no cérebro dos que nos governam.
Disponibilizo abaixo a correspondência que recebi do Arquiteto Antônio Carlos Gomes de Oliveira que expressa com exatidão o que todos sentimos.
O alcance nacional deste blog certamente permitirá que profissionais de todo o país possam saber o que está ocorrendo em Brasília, projetada e construída por brasileiros.
Expresse sua indignação com a contratação da empresa de Cingapura para projetar as adaptações necessárias para Brasília. Por favor, aponha seu nome no abaixo assinado


CARTA ABERTA AOS ARQUITETOS E URBANISTAS, ENGENHEIROS E AGRÔNOMOS.
                                                              Brasília, 5 de outubro de 2012.
Caros colegas,
        Como se pode ler no Correio Braziliense de hoje, 5, o GDF assinou contrato com um escritório de Cingapura (US$ 4,25 milhões com a empresa Jurong Consulants) para fazer o planejamento (estratégico) urbano de Brasília pelo período de  cinquenta (50) anos. As entidades de classes diretamente interessadas no assunto, que representam os Arquitetos e Urbanistas, os Engenheiros e Agrônomos, lamentavelmente sequer questionaram o governo ou mesmo o judiciário  sobre esse fabuloso contrato.
          Parece que estamos de acordo e engolimos silenciosamente a imposição do GDF e ademais, concordamos em dar emprego para os asiáticos e assim estarmos plenamente satisfeitos com tudo isso.
  Há sim, uma  clara e patente desunião política, estratégica e logística das entidades que representam,  todos nós,  os profissionais dessas áreas de conhecimento.
                           Enquanto essas nossas  entidades se ignoram e se conflitam  somos preteridos e assoreados em nosso próprio território - onde temos a exclusividade de nossos trabalhos amparados por leis -  e descobrimos tardiamente  que fomos traídos e ignorados profissionalmente.  
                             Vejo que nesse caso  há um profundo menosprezo pelo trabalho e metodologia dos profissionais  técnicos brasileiros em detrimento aos profissionais de Cingapura. 
                  Temos excelentes profissionais no país tanto em escritórios particulares como em empresas privadas, ou mesmo no governo, (que conhecem como nunca os nossos problemas),  como bem vimos na apresentação de  trabalhos no Fórum Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - FDES-, que vem sendo realizado periodicamente, onde apreciamos excelentes profissionais na área de Planejamento Urbano, Meio Ambiente e outras, todas contando com profissionais gabaritados que vivem e conhecem o Distrito Federal.
                            Tais trabalhos poderiam muito bem subsidiar projetos sociais, nacionais e internacionais de Planejamento Urbano voltados para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes do Distrito Federal e Entorno.

       De fato, e acima de tudo, a empresa de Cingapura  deveria participar de um concurso internacional promovido pelo GDF, ganhá-lo  e assim obter o direito de desenvolver o planejamento de Brasília. Esse concurso deveria conter todas as informações de modo a propiciar condições de igualdade a todos os participantes. Tal  como é feito em qualquer capital do mundo onde se deseja que a livre concorrência apresente a melhor ideia para a renovação de um determinado sítio ou mesmo de uma cidade.
Nada temos contra o mérito profissional, que só nos enriquece tecnologicamente, mas sim, contra o ato de offício que nos atropela e nos ignora no que diz respeito ao nosso conhecimento e tecnologia sobre planejamento urbano, engenharia, geologia e agronomia. 
Ademais, o  órgão legal e institucional para defender os profissionais de planejamento urbano no país é o  CAU-BR/ DF, que tem, em suma, a  outorga  do  poder publico para fiscalizar e cuidar dos interesses de seus profissionais. Já na área de realização de concurso público  voltado para essa área específica, o país conta com o  Instituto de Arquitetos do Brasil-IAB, que tem prestado relevantes serviços há mais de 91 anos. 

Como esse assunto envolve ainda várias outras entidades profissionais, pois exigiria  a contratação de especialistas de cada área seria interessante que todas as entidades de classes envolvidas no assunto, CAU-BR (DF), IAB, SINARQDF, ASBEA, OEAA,  CREA e CONFEA e o MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL  se manifestassem publicamente em um seminário a ser realizado emergencialmente.   

                                          
                   Nesse sentido, seria interessante ouvir esses órgãos e entidades a respeito desse intrigante assunto, bem como o GDF.

                   O que não podemos é admitir a contração pura e simples de uma empresa estrangeira pelo simples fato de ter similaridade com Brasília. Isso é balela e tem cheiro de caviar com champanhe servido estupidamente gelada acompanhada de charutos habana.

                      Abraços,



                             Antonio Carlos Gomes de Oliveira
                                     Arquiteto e Urbanista-DF
                                                    Cel.: 9979-6234

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Onde estão nossos engenheiros?


Abaixo o artigo do Ex-Ministro Bresser Pereira, publicado na Folha de São Paulo, em 27/08/2012, sobre a necessidade do Governo, nos seus três níveis, valorizar os engenheiros. O bom-senso começa a surgir e a se expressar entre as pessoas mais responsáveis e com sensibilidade para o desenvolvimento do país.
Onde estão nossos engenheiros?
Luiz Carlos Bresser Pereira
Enquanto mais de 80% da alta burocracia chinesa é formada de engenheiros, no Brasil não devem ser 10%
Dada a necessidade premente de investimentos na infraestrutura, o governo Dilma decidiu conceder à iniciativa privada os principais aeroportos brasileiros, e, em seguida, estradas de rodagem e ferrovias.
Não há garantia de que os serviços passem agora a ser realizados com mais eficiência. O mais provável é que custarão mais caro, porque as empresas terão condições de transferir para os usuários suas ineficiências e garantir seus lucros.
Por que, então, a presidente Dilma Rousseff tomou essa decisão? Não foi porque faltem recursos financeiros ao Estado, já que caberá ao BNDES financiar grande parte dos investimentos. Nem porque acredite na "verdade" de que a iniciativa privada é sempre mais eficiente.
Não obstante, foi uma decisão correta, porque falta capacidade de formulação e de gestão de projetos ao governo federal. Ou, em outras palavras, porque faltam engenheiros no Estado brasileiro.
Há advogados e economistas de sobra, mas faltam dramaticamente engenheiros. Enquanto mais de 80% da alta burocracia chinesa é formada por engenheiros, no Brasil não devem somar nem mesmo 10%.
Ora, se há uma profissão que é fundamental para o desenvolvimento, tanto no setor privado quanto no governo, é a engenharia. Nos setores que o mercado não tem capacidade de coordenar são necessários planos de investimento, e, em seguida, engenheiros que formulem os projetos de investimento e depois se encarreguem da gestão da execução.
Mas isto foi esquecido no Brasil. Nos anos neoliberais do capitalismo não havia necessidade de engenheiros. Contava-se que os investimentos acontecessem por obra e graça do mercado. Bastava privatizar tudo, e aguardar.
A crise da engenharia brasileira começou na grande crise financeira da dívida externa dos anos 1980. No início dos anos 1990, no governo Collor, o desmonte do setor de engenharia do Estado acelerou-se. Dizia-se então que estava havendo o desmonte de todo o governo federal, mas não foi bem assim.
Há quatro setores no governo: jurídico, econômico, social e de engenharia. Ninguém tem força para desmontar os dois primeiros; seria possível desmontar o setor social, mas, com a transição democrática e a Constituição de 1988, ele passara a ser prioritário. Restava o setor de engenharia -foi esse o setor que se desmontou enquanto se privatizavam as empresas.
Quando fui ministro da Administração Federal (1995-98) isso não estava claro para mim como está hoje. Eu tinha uma intuição do problema e, por isso, planejei realizar concursos parciais para a carreira de gestores públicos que seriam destinados a engenheiros na medida em que as questões seriam de engenharia, mas acabei não levando a cabo o projeto.
Quando o governo Lula formulou o PAC, reconheceu que os setores monopolistas necessitavam de planejamento, mas não tratou de equipar o Estado para que os projetos fossem realizados. Agora o problema está claro. Fortalecer a engenharia brasileira nos três níveis do Estado é prioridade.
A criação da empresa estatal de logística é um passo nessa direção. O Brasil e seu Estado precisam de engenheiros. De muitos. Vamos tratar de formá-los e prestigiá-los.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Eleições para o Confea e Creas. Profissionais querem os números

Fica autorizada a publicação do texto abaixo desde que citada a autoria e o endereço deste blog

Eng. Civil Danilo Sili Borges



Em outubro de 2011, ocorreram eleições para o Confea e para os 27 Creas. Resultados homologados, posse para todos. Festas, viagens sorrisos e....pronto. Não falemos mais nisso, é a atitude dos eleitos.
É sabido que a engenharia brasileira e os engenheiros encontram-se desprestigiados como nunca estiveram em toda a história deste país. Há certamente algo a ser feito
Dizem que os engenheiros não são participativos, que são individualistas e pouco interessados nas instituições que os representam. E isso não é verdade. Em outras postagens vamos analisar essa questão.
O resultado completo e detalhado, com números que permitam análises estatísticas do pleito, não foi até aqui divulgado. Mas os profissionais querem saber disso e das causas que fazem com que não haja uma participação maciça nas eleições. Pelo menos os otimistas que participam e que ainda acreditam que isso possa mudar.
Em 13 de agosto, ao abrigo da Lei da Transparência, requeri ao Confea dados relativos às eleições. Passados os vinte dias regulamentares, previstos na Lei, nenhuma resposta. Claro que nessas circunstâncias, tenho o direito de levantar hipóteses: ineficiência administrativa ou vergonha de divulgar a pífia votação que conduziu dirigentes a cargos de mando que os permitem falar, de boca cheia, que representam um milhão de profissionais, os quais são responsáveis por 70% do PIB. Falácias.
Não temos os números, pois até agora não foram liberados. Estima-se que nem 10% do universo profissional registrado no Sistema Confea-Crea se fizeram presentes ao conclave de outubro de 2011. Avalia-se também que eleitos tiveram a preferência, na melhor das hipóteses, de pouco mais de 5% do universo nacional para o Confea e do mesmo percentual para o caso dos estados, da totalidade dos profissionais registrados nos Creas correspondentes. São apenas conjecturas. Análises incontestáveis só após o Confea cumprir o que está disposto na Lei 12.527/2011, a denominada Lei de Acesso a Informação, e divulgar os números.

Abaixo seguem os textos dos documentos protocolizados no Confea, em 13 de agosto e hoje, 5 de setembro do mesmo ano.









Requerimento solicitando dados da eleição de outubro de 2011

Documento reafirmando a solicitação dos dados da eleição de 2011 








quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Manutenção de pontes e viadutos, uma questão nacional.


Entidades representativas da engenharia têm mostrado frequentemente sua preocupação com o estado das pontes e viadutos do nosso país. Boa parte dessas obras de arte foi construída nas décadas de 50 e 60 do século XX e chega até aqui, meio século depois, salvo honrosas exceções, sem nenhum tipo de manutenção, pior ainda, sem nenhum monitoramento sistemático. Em alguns casos, sinais perceptíveis de deterioração prenunciam acidentes.
Alertado por profissionais da área estrutural, o Crea-DF constituiu em início de 2011 um Grupo de Trabalho – Grupo de Trabalho da Patologia das Obras Públicas –  para estudar o assunto. Atendendo ao convite do Conselho Regional, entidades públicas e particulares se incorporaram ao grupo, inclusive duas universidades da nossa cidade. Após sucessivos encontros o grupo pode ter um primeiro diagnóstico da situação dessas obras. A preocupação se acentuou.
O Governo do Distrito Federal foi alertado para o problema na pessoa do seu então Secretário de Obras, por meio de um relatório que lhe foi entregue em final de 2011, numa reunião do Plenário do Crea-DF, na qual o então  Secretário esteve presente, representando o Excelentíssimo Senhor Governador.
No último dia 6 de agosto o GT da Patologia das Obras Públicas apresentou um relatório ao Fórum  Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social  - Fdes – que se realiza mensalmente em Brasília, expondo, em linhas gerais as providências já tomadas e sugerindo medidas a serem adotadas. O relatório intitulado Pontes e Viadutos: É melhor prevenir que Remediar Lamentar, segue abaixo.
A questão da patologia das pontes e viadutos não é exclusiva do DF. No dia 30 de julho passado, o jornal o Estado de São Paulo publicou editorial sobre a mesma questão relativa agora à situação das pontes e viadutos da capital paulista, intitulado Abandono de Pontes e Viadutos que também transcrevemos.

Grupo de Trabalho da Patologia das Obras Públicas
Coordenador Professor Engenheiro Civil João Bosco Ribeiro
Relator Professor Engenheiro Civil Danilo Sili Borges
Pontes e viadutos: Antes prevenir que  remediar  lamentar
Vem, mais uma vez, o coordenador do GT da Patologia, instituído pelo Crea-DF, em início de  2011, com a participação de entidades profissionais, órgãos públicos e universidades, a este Fórum para expressar sua preocupação com o estado das pontes e viadutos do DF quanto às suas condições de segurança, tendo em vista a pouca (ou nenhuma ) manutenção a que estão sujeitos.
Em fins do mesmo ano, o Crea-DF, através do GT da Patologia, preparou um relatório circunstanciado sobre a necessidade de que essas obras fossem regularmente vistoriadas e, sempre que constatadas patologias, fossem promovidos os reparos adequados.  O relatório que deveria ter sido entregue ao Excelentíssimo Governador do DF, o foi ao Senhor Secretário de Obras, que representou o Governador, impossibilitado de comparecer à Plenária do Crea-DF , para a qual este havia sido convidado.
Apesar da urgência demonstrada no documento  em relação a obras que, no entender técnico, encontram-se em estado crítico, nenhuma providência foi tomada.
Por questão de consciência, o assunto volta a este Fórum com sugestões concretas para que providências sejam tomadas, antes que tenhamos que lamentar algum acidente de graves proporções. São quatro propostas que submetemos aos participantes desta reunião:
1ª°– Solicitação de audiência ao Senhor Governador do DF ao presidente do Crea, ao presidente do Fórum e ao coordenador do GT na qual seria reiterada a urgência de implementação das medidas sugeridas no relatório entregue ao Secretário de Obras, na supra citada Plenária do Crea-DF;
2ª – Entendimento com o Ministério Público do DF, através das nossas entidades (talvez com a participação do Sinaenco), para que o GDF seja provocado a firmar um Termo de Ajuste de Conduta, no qual o Governo comprometa-se a tomar as medidas necessárias de reparação das obras em risco;
3ª – Promoção de Audiência Pública na Câmara Distrital, sob a liderança do Deputado Roney Nemer, participante deste Fórum, para discussão do tema da segurança das obras públicas;
4ª – Apresentação de emendas ao PLS 491/2011, do Senador Marcelo Crivella, sob inspeção de obras, em tramitação no Senado, de modo a se chegar a uma lei que aborde a questão da segurança das obras de um modo mais geral e efetivo, ou alternativamente a apresentação de novo projeto. Sugere-se o nome do Senador Rodrigo Rollemberg.
Justifica-se esta última proposta por sabermos que a questão da manutenção e da segurança de pontes e viadutos é uma preocupação dos engenheiros de todo o Brasil. No último dia 30 de julho o jornal o Estado de São Paulo abordou o tema externando as preocupações com a situação das obras daquele estado, o mais rico e desenvolvido do país, na matéria intitulada, Abandono de pontes e viadutos, que convém ser lido.




Abandono de Pontes e Viadutos
O Estado de S.Paulo     30/07/2012

Poucos exemplos ilustram tão bem o descaso dos governantes com a manutenção de estruturas de fundamental importância para a população - cuja construção custou muito caro para os contribuintes - quanto a má situação em que se encontram há muito tempo as pontes e viadutos da capital paulista.

As promessas de reforma dessas estruturas, que se vêm repetindo há anos, ao longo de vários governos - feitas quase sempre em seguida à ocorrência de um ou mais acidentes -, ou pura e simplesmente não são cumpridas, ou, no máximo,  o são apenas parcialmente.

Garante a Prefeitura que começam em agosto as reformas - que devem durar de quatro a nove meses - de nove pontes e viadutos, ao custo de R$ 13 milhões. Serão feitos reparos em partes das estruturas como juntas de dilatação e calçadas nos Viadutos Dona Paula e Alcântara Machado, na região central, e Raimundo Pereira de Magalhães, em Pirituba. E nas Pontes João Dias, Ari Torres, Cidade Jardim e Jaguaré, sobre o Rio Pinheiros, e Piqueri e Limão, sobre o Rio Tietê.

O sinal de alerta para a necessidade dessas obras foi dado pela ocorrência de vários acidentes desde o fim do ano passado. Em novembro, uma parte da calçada da Ponte dos Remédios desabou sobre o Tietê.

Três meses depois, algo muito parecido aconteceu com o Viaduto Brigadeiro Luís Antônio, quando um pedaço de concreto de sua estrutura se desprendeu e atingiu um táxi.

Nesse meio tempo, no princípio de janeiro, um incêndio no barracão de uma escola de samba, situado irregularmente nos baixos do Viaduto Pompeia, abalou sua estrutura e obrigou sua interdição. Em março, mais uma vez uma placa de concreto se soltou da estrutura de outra ponte - a do Morumbi.

Tudo isso deixou mais uma vez evidente as deficiências da manutenção desses equipamentos e os riscos daí decorrentes. Essa situação é conhecida há muito. Um estudo feito em 2005 pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) concluiu que metade dos 240 viadutos e pontes da capital precisava de algum reparo, e que 10% deles, em situação mais difícil, necessitavam de reformas urgentes.

Em 2006, um levantamento feito pela própria Prefeitura chegou a conclusão ainda mais pessimista - nada menos do que 90% dessas estruturas deviam sofrer algum tipo de reparo. Desde então, esse quadro preocupante pouco mudou.

É fácil saber por que se chegou a essa situação. A maior parte das pontes e viadutos de São Paulo foi construída nas décadas de 1950 e 1960 - há mais de meio século, portanto - e, desde então, nunca recebeu os cuidados de conservação necessários.

Os principais problemas decorrentes desse descaso são infiltrações e falhas nas juntas. Acrescentem-se a isso duas agravantes. Uma - decorrente da falta de fiscalização eficiente - são os acidentes constantes com caminhões altos demais para circular principalmente pelas Marginais, que ficam entalados sob as pontes, abalando suas estruturas.

Outra é o excesso de peso dos caminhões que por elas transitam. Elas foram planejadas para veículos de até 30 toneladas, mas há muito vêm suportando carretas de 50 toneladas.

Se tudo isso já é conhecido, e se são facilmente previsíveis as consequências para o trânsito caótico da cidade da interdição de várias pontes e viadutos - a que essa situação pode levar -, os paulistanos têm todo o direito de perguntar por que a Prefeitura nunca tomou, nesse e em governos anteriores, a decisão de reformar e bem conservar esses equipamentos.

O máximo que ela fez, pressionada pelo Ministério Público Estadual, foi assinar com ele, em 2007, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), comprometendo-se a recuperar 58 pontes e viadutos. Só 27 foram reformados, aos quais se devem somar os 9 que agora deverão sofrer reparos.

É muito pouco, se considerarmos o que recomenda o resultado do levantamento feito por ela mesma. Isto significa que a situação continua a se degradar perigosamente. E, como a manutenção do que já está feito não dá dividendos políticos, dificilmente esse quadro vai mudar.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Educação Básica: faltou o mais importante

Reprodução autorizada desde que citada a autoria e o endereço deste blog.


Eng. Civil Danilo Sili Borges




Esta semana o Ministério da Educação veiculou em revista semanal de grande circulação extensa publicidade sobre o que todas as escolas públicas do país podem ter. Foram sete páginas com seis mensagens (revista Veja de 25/07/2012) que mostram o que as escolas podem ter, com os municípios sendo apoiados pelo governo federal.

O Brasil inteiro ficou sabendo que:

  1.   Toda escola pública pode ser uma boa escola
  2.   Toda escola pública pode ter transporte escolar;
  3.    Toda escola pública pode ter uma biblioteca;
  4.    Toda escola pública pode ter equipamentos digitais;
  5.    Toda escola pública pode ter quadras esportivas;
  6.   Toda escola pública pode ter educação em tempo integral.

Procurei pelas demais páginas da revista a sétima e a oitava chamadas que dissessem:

      

  •   Toda escola pública pode ter professores bem preparados, orgulhosos da sua profissão e do reconhecimento da sociedade e do governo do seu país;  
  •  Toda escola pública pode ter professores recrutados entre as melhores cabeças de cada geração, com remunerações compatíveis com a alta importância da função docente, pois o governo entende o efeito multiplicador dessa medida.


Mas não encontrei.

Tudo o que a divulgação do Ministério da Educação mostra é de importância. São condições necessárias para uma educação básica de qualidade, mas não são suficientes. Somente com professores bem preparados, bem remunerados e socialmente prestigiados essas condições serão, além de necessárias, suficientes.
Faltou o mais importante, o agente das transformações.