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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Onde estão nossos engenheiros?


Abaixo o artigo do Ex-Ministro Bresser Pereira, publicado na Folha de São Paulo, em 27/08/2012, sobre a necessidade do Governo, nos seus três níveis, valorizar os engenheiros. O bom-senso começa a surgir e a se expressar entre as pessoas mais responsáveis e com sensibilidade para o desenvolvimento do país.
Onde estão nossos engenheiros?
Luiz Carlos Bresser Pereira
Enquanto mais de 80% da alta burocracia chinesa é formada de engenheiros, no Brasil não devem ser 10%
Dada a necessidade premente de investimentos na infraestrutura, o governo Dilma decidiu conceder à iniciativa privada os principais aeroportos brasileiros, e, em seguida, estradas de rodagem e ferrovias.
Não há garantia de que os serviços passem agora a ser realizados com mais eficiência. O mais provável é que custarão mais caro, porque as empresas terão condições de transferir para os usuários suas ineficiências e garantir seus lucros.
Por que, então, a presidente Dilma Rousseff tomou essa decisão? Não foi porque faltem recursos financeiros ao Estado, já que caberá ao BNDES financiar grande parte dos investimentos. Nem porque acredite na "verdade" de que a iniciativa privada é sempre mais eficiente.
Não obstante, foi uma decisão correta, porque falta capacidade de formulação e de gestão de projetos ao governo federal. Ou, em outras palavras, porque faltam engenheiros no Estado brasileiro.
Há advogados e economistas de sobra, mas faltam dramaticamente engenheiros. Enquanto mais de 80% da alta burocracia chinesa é formada por engenheiros, no Brasil não devem somar nem mesmo 10%.
Ora, se há uma profissão que é fundamental para o desenvolvimento, tanto no setor privado quanto no governo, é a engenharia. Nos setores que o mercado não tem capacidade de coordenar são necessários planos de investimento, e, em seguida, engenheiros que formulem os projetos de investimento e depois se encarreguem da gestão da execução.
Mas isto foi esquecido no Brasil. Nos anos neoliberais do capitalismo não havia necessidade de engenheiros. Contava-se que os investimentos acontecessem por obra e graça do mercado. Bastava privatizar tudo, e aguardar.
A crise da engenharia brasileira começou na grande crise financeira da dívida externa dos anos 1980. No início dos anos 1990, no governo Collor, o desmonte do setor de engenharia do Estado acelerou-se. Dizia-se então que estava havendo o desmonte de todo o governo federal, mas não foi bem assim.
Há quatro setores no governo: jurídico, econômico, social e de engenharia. Ninguém tem força para desmontar os dois primeiros; seria possível desmontar o setor social, mas, com a transição democrática e a Constituição de 1988, ele passara a ser prioritário. Restava o setor de engenharia -foi esse o setor que se desmontou enquanto se privatizavam as empresas.
Quando fui ministro da Administração Federal (1995-98) isso não estava claro para mim como está hoje. Eu tinha uma intuição do problema e, por isso, planejei realizar concursos parciais para a carreira de gestores públicos que seriam destinados a engenheiros na medida em que as questões seriam de engenharia, mas acabei não levando a cabo o projeto.
Quando o governo Lula formulou o PAC, reconheceu que os setores monopolistas necessitavam de planejamento, mas não tratou de equipar o Estado para que os projetos fossem realizados. Agora o problema está claro. Fortalecer a engenharia brasileira nos três níveis do Estado é prioridade.
A criação da empresa estatal de logística é um passo nessa direção. O Brasil e seu Estado precisam de engenheiros. De muitos. Vamos tratar de formá-los e prestigiá-los.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Eleições para o Confea e Creas. Profissionais querem os números

Fica autorizada a publicação do texto abaixo desde que citada a autoria e o endereço deste blog

Eng. Civil Danilo Sili Borges



Em outubro de 2011, ocorreram eleições para o Confea e para os 27 Creas. Resultados homologados, posse para todos. Festas, viagens sorrisos e....pronto. Não falemos mais nisso, é a atitude dos eleitos.
É sabido que a engenharia brasileira e os engenheiros encontram-se desprestigiados como nunca estiveram em toda a história deste país. Há certamente algo a ser feito
Dizem que os engenheiros não são participativos, que são individualistas e pouco interessados nas instituições que os representam. E isso não é verdade. Em outras postagens vamos analisar essa questão.
O resultado completo e detalhado, com números que permitam análises estatísticas do pleito, não foi até aqui divulgado. Mas os profissionais querem saber disso e das causas que fazem com que não haja uma participação maciça nas eleições. Pelo menos os otimistas que participam e que ainda acreditam que isso possa mudar.
Em 13 de agosto, ao abrigo da Lei da Transparência, requeri ao Confea dados relativos às eleições. Passados os vinte dias regulamentares, previstos na Lei, nenhuma resposta. Claro que nessas circunstâncias, tenho o direito de levantar hipóteses: ineficiência administrativa ou vergonha de divulgar a pífia votação que conduziu dirigentes a cargos de mando que os permitem falar, de boca cheia, que representam um milhão de profissionais, os quais são responsáveis por 70% do PIB. Falácias.
Não temos os números, pois até agora não foram liberados. Estima-se que nem 10% do universo profissional registrado no Sistema Confea-Crea se fizeram presentes ao conclave de outubro de 2011. Avalia-se também que eleitos tiveram a preferência, na melhor das hipóteses, de pouco mais de 5% do universo nacional para o Confea e do mesmo percentual para o caso dos estados, da totalidade dos profissionais registrados nos Creas correspondentes. São apenas conjecturas. Análises incontestáveis só após o Confea cumprir o que está disposto na Lei 12.527/2011, a denominada Lei de Acesso a Informação, e divulgar os números.

Abaixo seguem os textos dos documentos protocolizados no Confea, em 13 de agosto e hoje, 5 de setembro do mesmo ano.









Requerimento solicitando dados da eleição de outubro de 2011

Documento reafirmando a solicitação dos dados da eleição de 2011