Senge-DF

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Alfredo Oton de Lima - Prêmio CIO Destaque - DF 2012


Este texto pode ser livremente reproduzido desde que citada a autoria e o endereço deste blog

Eng. Civil Danilo Sili Borges

Todos os engenheiros do Distrito Federal conhecem o nome OTON DE LIMA. Muitos dos onze filhos do casal Augusto de Lima formaram-se em engenharia: o saudoso Arino, competente executivo do Governo de Distrito Federal; EugênioLúcio e Alfredo.Conheço ainda a arquiteta Estela Maria e o médico Benício, ambos brilhantes em suas especialidadesOs engenheiros foram todos meus alunos na UnB, Arino e Eugênio formaram-se na primeira turma, em 1969. Tempos heroicos na nossa universidade.

As qualidades éticas e intelectuais dessas pessoas as fizeram destacarem-se ainda na fase de formação acadêmica. O sucesso de cada um na vida profissional surgiu como decorrência desses valores.

Tomei conhecimento de que o prêmio CIO DESTAQUE-DF 2012 foi concedido a Alfredo, um dos mais jovens do clã. Para quem não sabe, CIO é a sigla em inglês de Chief Information Officer. O prêmio foi criado pela IT4CIO Network Technology e é concedido a um CIO atuante no segmento de Tecnologia da Informação, que seja liderança reconhecida em sua região e em seu meio, identificado por pesquisas do Instituto Sem Fronteiras e/ou por indicação de outros profissionais da área através de votação.
 
Concorrem ao prêmio personalidades importantes e de reconhecida liderança no setor de TI, atuantes no Distrito Federal e Centro Oeste, em empresas privadas ou entidades públicas, nas quais atue como principal executivo. Alfredo Oton é CIO da Procuradoria Geral do DF. Esta é a primeira vez que o prêmio é concedido a um profissional do GDF.

Pelo menos duas constatações, de caráter geral, podem ser feitas a partir do fato relatado:

1 – A formação eclética dos engenheiros permite que eles tenham sucesso em áreas não estritamente da engenharia. Isso se deve a boa formação desses profissionais. A categoria não deve transigir com o encolhimento do currículo na graduação (como tem sido feito) e deve exigir que os cursos de engenharia tenham qualidade, o que nem sempre é observado em cursos mesmo devidamente autorizados a funcionar pelas autoridades educacionais.

2 – A regulamentação das profissões deve ser menos rígida, permitindo migrações entre estudantes e formados em cursos diferentes, mas com afinidades. As legislações dos conselhos profissionais devem cuidar de não atender a pressões corporativas, que em nada beneficiam a sociedade, principalmente na atualidade, onde o conhecimento é cada vez mais disponível, não se justificando assim os guetos profissionais. O direito de fazer deve decorrer da competência e não de legislações de proteções corporativas.

Ao Engenheiro Civil Alfredo Oton de Lima os parabéns do Blog Conversa de Engenheiro.


domingo, 4 de novembro de 2012

Brasília + 50. Jurong não descobriu Cingapura

Este texto pode ser reproduzido livremente desde que citada a autoria e o endereço deste Blog

Eng Civil Danilo Sili Borges


Vou tecer algumas considerações sobre o contrato recentemente firmado entre o GDF e a Jurong Consultants.  Vou procurar não ficar repetindo o que já foi dito, contra e a favor do acerto, pela imprensa, por entidades de representação profissional e em casas parlamentares.
Não tenho nenhum posicionamento político partidário e não escolhi ainda candidato para o Buriti em 2014. As manifestações motivadas pelas posições políticas pró ou contra o acerto não entraram neste texto. Essas opiniões, regra geral, são muito pragmáticas e obedecem a razões de estratégias de poder que não me seduzem. Pelo contrário.
A primeira pergunta que faço é: Há no Brasil competência técnica para desenvolver um planejamento físico, econômico e social para os próximos 50 anos da nossa Capital?
Só há duas respostas possíveis: Sim ou Não.
Inicialmente, vamos seguir a resposta positiva – SIM, temos competência.
Claramente isso nos conduz a inquirir o porquê de o GDF ter ido procurar fora das nossas fronteiras, na longínqua Ásia, uma empresa para realizar esse trabalho. Não especularei com hipótese de vantagens pessoais, como tem sido aventado. Se considerasse essa hipótese, estaria entrando na seara político-partidária, terreno pantanoso.
 O que me ocorre, pelo que sei de Cingapura, é que esse país é um dos maiores centros financeiros do mundo. Talvez esteja aí a chave para entender a opção pela Jurong, mesmo na hipótese de haver expertise brasileira. Pode-se inferir que projetos executados pela Jurong teriam, em princípio, facilidades de acesso aos capitais necessários para sua implantação ao longo dos próximos 50 ou 60 anos.
A realidade que conheço, dos quase 50 anos de profissão, aponta em duas direções para procurar entender o casamento GDF-Jurong. Primeiro, sabe-se que o projetista do que quer que seja habitualmente especifica produtos e serviços de empresas ou profissionais a ele vinculados, o que é compreensível. Em casos de grandes empreendimentos a empresa projetista procura e aponta instituições que viabilizem, por empréstimo, os recursos para as aquisições e contratações. A segunda direção apontada, diz respeito aos investimentos, aos capitais de risco, a serem investidos nos empreendimentos gerados no projeto. No caso em tela, estamos falando de aplicadores em Bancos de Cingapura para a implantação dos negócios a serem projetados pela Jurong no DF. Estaríamos assim preterindo a expertise nacional, visando superar questões financeiras do futuro empreendimento.
Não posso me furtar a emitir minha opinião sobre as duas supostas vantagens na contratação da empresa de Cingapura. Obviamente, termos financiamentos vinculados a marcas, a produtos e a serviços estrangeiros é danoso para a economia nacional e regional. Quanto à hipótese de estarmos buscando capitais de risco nos bancos cingapurenses, só tenho a observar que esses capitais, ariscos e oportunistas, procuram as melhores opções para suas aplicações, sejam os empreendimentos projetados pela Jurong, ou pela Joaquim da Silva Engenharia e Arquitetura S/C. Assim, a meu ver, se temos competência não há razão para entregarmos o projeto aos distantes estrangeiros.
Vamos agora explorar alternativamente o entendimento, aliás, pouco provável, de que não temos expertise para projetar o desenvolvimento do DF para as próximas cinco ou seis décadas.
Pergunto: a melhor solução é a compra desses serviços fora? Se isso for feito continuaremos sem ter o conhecimento desse assunto. Temos feito isso, é verdade, com certa frequência. Cito dois casos recentes: 1. O sistema de TV digital comprado fora, ao invés de ter sido encomendado a universidades e a empresas brasileiras; 2. A intrincada questão do trem bala, cujo sistema está sendo comprado fora, quando poderia estar sendo desenvolvido por engenheiros brasileiros, que detentores do know how próprio, poderiam aplicá-lo em outros trechos, sem despesas de royalities. Não estou discutindo a oportunidade e a conveniência da implantação do trem bala entre Rio e São Paulo, que é uma questão sobre a qual já me manifestei publicamente.
 Se continuarmos assim, comprando pacotes fechados, não formaremos nunca grupos de pesquisa e inovação e vamos virar este século ainda como somente vendedores de commodities.
Se o problema é a falta de competência, ou se preferirem um termo menos chocante, de expertise, contratemos profissionais estrangeiros, de altíssimo nível, que nos possam passar seus conhecimentos trabalhando conosco. O mundo todo faz isso. Nós mesmos fizemos no passado, com êxito, nos primórdios da Petrobrás e do ITA. Basta ler sobre suas histórias para entender.
Questão interessante a ser observada é que a Jurong  Consultants tem sido apresentada pelos discursos oficiais como o fator do exponencial desenvolvimento de Cingapura. Poderíamos até pensar que como Cabral descobriu o Brasil, a Jurong descobriu Cingapura. E isso não é verdade. A Jurong é consequência e não causa do sucesso desse tigre asiático – os outros são Hong Kong, Tawian, Coreia do Sul.
Há trinta ou quarenta anos, esses países e também outros como a Finlândia e a Irlanda, resolveram programar o seu desenvolvimento para frutificar nas próximas décadas, tal como o GDF está a fazer agora. Um plano de desenvolvimento integrado para ser executado com pertinácia por décadas.
A escolha, no entanto foi bem diferente. Os países citados, entre outros, como a China e a Índia, acreditaram que o seu planejamento de longo prazo deveria estar assente na preparação intelectual de seus cidadãos e investiram fortemente em educação, principalmente na fundamental.
Professores desse nível de ensino foram e continuam sendo recrutados entre as melhores cabeças dos egressos das universidades, por concursos que se tornaram concorridos, quer pelos salários e demais condições econômicas, quer principalmente pelo prestígio social da profissão docente. O mesmo procedimento se deu nos demais níveis educacionais. Foi assim que Cingapura e a Jurong se tornaram importantes. A Jurong não descobriu Cingapura, o Brasil foi descoberto por Cabral e Brasília foi construída por Juscelino com Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Israel Pinheiro, Bernardo Sayão e tantos outros engenheiros, arquitetos e agrônomos.
Fica a sugestão. Se quisermos seguir algo que valeu para os países citados e se queremos planos de longo prazo, que tal pensarmos num sistema educacional baseado na meritocracia, na valorização de docentes, em condições dignas para professores, funcionários e alunos, em instalações adequadas. Tudo isso, que não é pouco, permitirá dar oportunidades iguais aos jovens brasileiros para daqui a alguns anos podermos abolir as políticas afirmativas, que são remendos, por vezes mal costurados, nas decisões erradas tomadas no passado.
De quebra, seremos donos dos nossos destinos.