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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Engenheiros são preocupados com o social. Ronaldo Carneiro é exemplo


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Eng. Danilo Sili Borges


Com frequência os engenheiros são citados como pragmáticos em demasia, buscando as soluções das questões que lhes cabem resolverem de modo direto, sem a análise profunda de implicações colaterais. 
O estereótipo é mundial e parece ser uma reação ao mundo sofisticado que a tecnologia – campo de trabalho dos engenheiros – criou, mudando a face do mundo, levando conforto às pessoas. O que é bom é logo absorvido passando a fazer parte do cotidiano de todos, que logo esquecem os benefícios. Como diz a sabedoria dos nossos avós portugueses, “não há bela sem senão”. Acompanhando os avanços tecnológicos, vieram problemas de muitas ordens, como os ambientais, os de esgotamento de recursos naturais e até os sociais, como o aumento das desigualdades entre pobres e ricos, entre países e mesmo dentro dos países mais ricos do planeta, sendo que este é menos da engenharia e muito mais da condução política dos países e do mundo.
Os engenheiros como cidadãos do mundo têm as mesmas preocupações sociais que todos. A notável simbiose entre engenharia e economia – há quem diga que engenharia é economia aplicada – faz com que inúmeros engenheiros se dediquem ao conhecimento das ciências econômicas. É o caso do engenheiro Ronaldo Carneiro, que tem uma longa história como estudioso da economia e como propositor de interessantes medidas econômicas que visam tornar o sistema capitalista menos agressivo e insensível.
Os fundamentos da proposta do Eng. Carneiro podem ser resumidos no seguinte: O sistema produtivo global traria para si a responsabilidade da educação, da nutrição e da saúde da população infantil. Aos governos caberia zerar ou reduzir muito as taxações nesses segmentos. Isso seria uma forma de igualar as oportunidades iniciais das pessoas.
Leia um trecho de um trabalho do Eng. Carneiro:
Fica claro que, com as atuais regras de convívio humano, o governo precisa intervir cada vez mais, porem as reais necessidades da intervenção do governo na economia é a constatação que 3 setores: agricultura, saúde e educação não andam sozinhos – governo precisa bombear recursos para estes 3 setores – bombeamento de baixa eficiência porem necessário. Enganam-se aqueles que preconizam a redução da intervenção do governo na economia com as atuais regras – aumentaria muito a distancia entre pobres e ricos e inviabiliza o convívio humano. Porem através de novo pacto social onde nutrição, saúde e educação passam a ser reponsabilidades do processo produtivo privado e o governo, reduzindo a tributação correspondente, irá reduzir sua interferência na economia.  Ao invés de transferir recursos do rico para o pobre, igualam-se as oportunidades de nutrição, saúde e educação. Não falamos de filantropia, mas num novo conceito de trabalho humano como processo de transformação de energia humana em energia física ou intelectual. Trata-se de substituir a cambiante lógica de ideias – ideologia – pela invariável lógica da vida – biologia. Certamente o empresário não ira agir por filantropia, é o pleno emprego produtivo que será o fiador deste Acordo de vontades – a dinâmica da economia ira conduzir ao pleno emprego onde a supervisão governamental não será mais necessária. O poeta e polemista inglês do século 17 John Milton identificou que a razão humana consegue distinguir as boas das más ideias, tal como Adam Smith dizia que todos temos um tribunal de júri em nosso peito – sabemos distinguir o certo do errado. Desta forma consegue-se humanizar o mercado ou responder ao poeta mexicano, Nobel de literatura de 1990, Octavio Paz: “mercado não tem consciência nem misericórdia”. Ou ainda aplacar a ansiedade de Joan Robinson – mercado passa a fazer o necessário e o rentável com liberdade total de produzir e consumir.
Esta proposta precisa ser discutida à exaustão por todos aqueles que detêm responsabilidades e acreditam que temos a obrigação de entregar um mundo melhor para nossos filhos, netos e próximas gerações. A fome não pode esperar e as crianças que nascem hoje têm o direito natural de serem alimentadas, e terem acesso aos sistemas de saúde e educação. Antes que seja tarde demais é preciso humanizar o mercado  para merecer o amanhã.
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