Senge-DF

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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O engenheiro envergonhado

Eng. Civil Danilo Sili Borges

Há poucos dias encontrei no aeroporto do Galeão um colega de turma, que não via há mais de trinta anos. Aeroportos são ótimos por nos proporcionarem encontros inesperados. Como eu, ele também vinha para Brasília, onde mora um de seus filhos. Carlos Silva (nome fictício) e eu nos formamos em engenharia civil no distante e conturbado ano de 1964, na Escola Fluminense de Engenharia, então uma jovem instituição, que deu lugar a atual escola de engenharia da Universidade Federal Fluminense. Lá se vão 51 anos, o que não é pouca coisa.
As condições materiais da escola eram precárias. Mesmo com muito esforço, o fundador e diretor da escola, o saudoso Engenheiro Octávio Reis de Cantanhede e Almeida, não conseguia arrancar recursos razoáveis do governo do antigo Estado do Rio de Janeiro, que então patrocinava a escola. O corpo docente, no entanto, supria com dedicação as carências materiais. Ali se faziam experiências para a modernização do ensino da engenharia no Brasil, que muito necessitava disso após o boom desenvolvimentista do quinquênio de Juscelino. Ousaria afirmar que tivemos um curso primoroso.
A Petrobrás, então ainda uma empresa estatal em formação e com acento grave no seu a, produzia poucas centenas de milhares de barris de petróleo por dia. Preparando seu quadro técnico, promovia, ao final de cada ano letivo, nas escolas de engenharia, provas para classificar e recrutar formandos que tivessem interesse em ingressar na empresa. Carlos, entre outros, topou o desafio e o risco de vincular sua vida profissional a uma estatal que apenas se organizava para disputar mercado com gigantes internacionais. Classificou-se e foi mandado para a Bahia fazer um curso-treinamento numa das áreas da engenharia de petróleo.
Penso que deva ter se saído bem. Durante nosso curso foi sempre destaque. Era a ele a quem eu recorria para repor matérias que eventualmente perdesse na minha agitada vida de professor de “cursinho”, atividade que mantinha minha economia pessoal. Numa das poucas vezes em que o encontrei após nos formarmos, num restaurante em Brasília, ele era o típico executivo de uma grande e bem sucedida empresa. Mesa com muitos convivas alegres, bem vestidos senhores de meia idade, o que me levou a imaginar que eram seus colegas de trabalho. Naquela ocasião, a seu convite, fomos para um canto reservado e rapidamente atualizamos informações dos vinte ou mais anos que se haviam passado desde nossa formatura. Um tanto orgulhoso, confidenciou-me que estava cotado para ocupar diretoria na empresa. Felicitei-o com a certeza de que fora sua capacidade que o levara até ali e que continuaria firme no caminho da realização pessoal e profissional. A Petrobras já era empresa vencedora e suporte do desenvolvimento do Brasil.
Passei a acompanhar, com mais atenção, a trajetória do colega e tivemos ainda rápido encontro num congresso em Salvador, no qual ele era um dos palestrantes. O mesmo entusiasmo com o trabalho, com a empresa e com a certeza de que dava contribuição expressiva para o país, que chegava a produzir um milhão de barris dia.
Cabeça branca, como a minha própria, face encarquilhada comum aos que deixaram para trás a marca dos 70, andar menos firme, pés arrastados. Tudo comum e próprio da nossa fase na vida. Contudo, os velhos não precisam ser tristes e eu vi no olhar, na expressão e na fala do meu colega, profunda e comovente tristeza. Cheguei a cogitar que ele poderia estar sofrendo de algum mal, desses que acometem os idosos preparando-os para o fim da linha.
A rápida conversa com a atendente responsável pelo atendimento aos passageiros promoveu troca de assentos, o que nos permitiu que viajássemos lado a lado.
Logo, nossa conversa deslizou para o tema do momento: petróleo, lava-jato, corrupção. Devo ser sincero: gostei da oportunidade de ouvir a opinião de alguém “de dentro”. Não precisei perguntar. Carlos, eu penso, precisava desabafar:
- Alguns desses colegas estavam chegando à empresa quando eu arrumava as malas para sair. Muitos eram engenheiros como eu. Via neles o mesmo espírito que tinha quando ingressei na empresa. O desejo de servir ao país, ser exemplo de eficiência e de seriedade. Hoje os vejo pela televisão, presos ou com tornozeleiras, humilhados, chamados de ladrões. Isso está acabando comigo. Sinto vergonha! A pior das vergonhas. A vergonha pelo o que outros fizeram.
Com a voz embargada pela emoção, seus olhos encheram-se de lágrimas. Outras informações, que penso nunca foram veiculadas pela imprensa me foram dadas, mas que não cabe aqui comentá-las. Nossa conversa continuou até nos despedirmos no saguão do aeroporto, onde seu filho foi lhe buscar. Trocamos um longo e sentido abraço.
Como cidadão e engenheiro, formado numa época em que tínhamos certeza do destino grandioso do Brasil, pude entender o desânimo do meu colega, que é o mesmo que enfrento.

“A pior vergonha é a que sentimos pelos erros dos outros”.


Texto publicado na revista Voz do Engenheiro do Sindicato dos Engenheiros de Brasília



terça-feira, 16 de junho de 2015

Engenheiro no comando da recuperação econômica

Matéria publicada na Voz do Engenheiro, revista do Sindicato dos Engenheiros do Distrito Federal, edição junho 2015

Eng. Danilo Sili Borges

Os engenheiros, por força da profissão, estão à frente da maior parte das atividades produtivas do país. Nos últimos trinta anos têm enfrentado inúmeros planos econômicos, de todos os matizes: ortodoxos, heterodoxos, feijão com arroz, bala única, frango a um real, verão e diversos outros. Nem os engenheiros, nem a população têm deles boas lembranças.
A expressão plano econômico desgastou-se nos naufrágios sucessivos. Os recentes não têm recebido o pomposo título. O penúltimo foi denominado simplesmente de Nova Matriz Econômica com dois objetivos. Primeiro, estimular a aquisição de bens duráveis, carros e eletrodomésticos, para ativar a atividade econômica. Durou pouco, mas deixou muitos males. O segundo alvo foi alcançado, a reeleição da Presidente da República. Na época em que parecia que a solução jabuticaba fosse perfeita  –  a crise europeia passava pelo auge – , sugeriu-se que a Alemanha usasse a Nova Matriz para encaminhar a solução para aquela região. Bravatas para consumo interno.
O atual Ajuste Fiscal, também não recebeu explicitamente o status de Plano Econômico.
Desta vez, como de algumas outras, o comando está nas mãos de um engenheiro. A formação universitária básica de Joaquim Levy é a de engenharia naval pela UFRJ. Muitos colegas, ou seguindo vocação para questões econômicas, ou por encontrarem mais frutuoso mercado de trabalho nessa atividade, fazem opção pelas ciências econômicas.
O engenheiro Levy efetuou estudos em sua nova área de interesse na FGV e posteriormente na Universidade de Chicago. E faz belíssima carreira.
“Uma vez Flamengo, sempre Flamengo” diz a o hino do mais querido. Engenheiro também é assim, uma vez engenheiro, sempre engenheiro. Quero dizer com isso que o talentoso ministro sabe que a confiança na economia de um país se baseia na sua capacidade de realizar obras, de produzir competitivamente, da disponibilidade de seus recursos naturais, da competência do seu segmento laboral. As inconsequências perpetradas por qualquer governo, principalmente em suas contas, não têm o poder de inviabilizar a economia real, ou sequer de danificá-la permanentemente.
A palavra chave do nosso momento econômico é confiança. Em sua busca está o ministro em todos os seus périplos, os internacionais, os nacionais e os “congressuais”, isto é, em suas constantes visitas ao parlamento brasileiro na tentativa de alinhar o político ao econômico.
Investidores sabem que as potencialidades do Brasil continuam intactas: recursos naturais, grande mercado interno, capacidade empreendedora, sistema financeiro sadio, sociedade que não se deixa encantar pelo bolivarianismo. E isso é bom para investimentos de médio e longo prazo.
Por outro lado, especuladores que operam agilmente nas altas e baixas dos mercados procuram adivinhar os movimentos de curto e curtíssimo prazo. Esses consultam sempre seus oráculos, o principal deles as agências de previsão de riscos, que realmente têm capacidade de direcionar fluxos de capitais especulativos, por meio de suas notas e análises.
Engenheiros são treinados para resolver problemas com os recursos e os condicionamentos existentes. É verdade que a situação financeira do governo, com contas pedaladas e maquiadas, está contaminando a economia real.
Os investidores experientes sabem que as melhores aplicações se fazem nos momentos de mercados em baixa e aplicam no longo prazo e no crescimento dos empreendimentos.  Já os especuladores avaliam qual o menor prazo para manterem seus capitais aplicados de modo a terem lucros maximizados. Entre os dois grupos as expectativas são diferentes.
O problema atual é corrigir as contas enviesadas do governo e evitar que contaminem ainda mais a economia real. A tarefa é gigante. Usando os meios disponíveis tentam-se resolver os desequilíbrios,  reduzindo gastos, não diretamente os do governo, que tem custos altos: 38 ou 39 ministérios, muitos milhares de cargos para militantes políticos, corrupção, máquina pública ineficiente e de baixa criatividade, mas transferindo a conta do ajuste econômico para os trabalhadores, reduzindo direitos sociais duramente conquistados por décadas, aumentando a carga tributária e os preços administrados pelo governo. A mão deveria pesar mais nos que mais têm lucrado, cujo exemplo, pronto e acabado, é o dos bancos. Isso, no entanto, é tarefa para estadista.

Como velho engenheiro, entendo que o ministro engenheiro/economista está procurando resolver o problema com as ferramentas disponíveis. As recentes aprovações pelo congresso não encerram o rol de medidas restritivas que o Plano Levy pretende. Mas para delas fazer uso terá contínuos enfrentamentos com o mundo político, que não me parece estar disposto a dar outros tiros no pé. Afinal, as ruas estão atentas e as panelas prontas para se fazerem ouvir.

Boa sorte Ministro.


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Livro precioso para os "barrageiros"

O Eng. Civil Geraldo Magela Ferreira acaba de lançar o livro Projeto de Usinas Hidroelétricas  -  passo a passo. A obra preenche lacuna no mundo editorial da engenharia, disponibilizando a experiência do autor em mais de 40 anos no setor, para servir de apoio aos colegas dedicados ao projeto e a construção de hidroelétricas.
A competência brasileira nesse campo é mundialmente reconhecida, apesar dos erros estratégicos cometidos por alguns governos que minimizaram a importância da geração de energia por via hídrica, o que nos levou ao "apagão" dos anos 90 e às dificuldades atuais, provocando o uso intensivo de termoelétricas, com custos elevados financeiros e ambientais.

PROJETO DE USINAS HIDRELÉTRICAS - passo a passo.
Geraldo Magela Pereira. 2015



RESUMO
O livro “Projeto de Usinas Hidrelétricas – passo a passo” foi organizado com o objetivo de tentar facilitar o desempenho da vida profissional das novas gerações de engenheiros que venham a ingressar no Setor Elétrico, englobando em um texto único todas as disciplinas que o projeto envolve, com uma visão generalista do projeto e incluindo a legislação, destacando a importância que os reservatórios têm desde a antiguidade. Os capítulos foram organizados com base na experiência do autor e neles encontra-se um mínimo da teoria de cada disciplina, seja da engenharia civil (topografia, hidrologia e hidroenergia, hidráulica, geologia e geotecnia), da engenharia mecânica e da engenharia elétrica, bem como da engenharia ambiental. O Capítulo 1 aborda a “História das Usinas Hidrelétricas”. O Capítulo 2 trata do “Planejamento da Geração de Energia Hidrelétrica e das Fases de Estudos”, por bacia hidrográfica e considerando os usos múltiplos da água, incluindo a Avaliação Ambiental Integrada da bacia. O Capítulo 3 trata dos “Tipos de Usinas e Tipos de Arranjos”. O Capítulo 4 apresenta os “Estudos Hidrológicos e Energéticos”. O Capítulo 5 apresenta os Estudos Geológicos e Geotécnicos. Os capítulos seguintes, 6 ao 8, abordam o dimensionamento das as estruturas definitivas do aproveitamento hidrelétrico: Capítulo 6 “Barragens”; Capítulo 7 “Vertedouros”; Capítulo 8 “Circuito Hidráulico de Adução e Geração”, incluindo: Canal de Adução, Tomada de Água, Conduto(s) Forçado(s), ou Túnel de Adução, Chaminé de Equilíbrio, Casa de Força e Canal de Fuga. O Capítulo 9 apresenta os “Equipamentos Mecânicos” da usina: Comportas, Válvulas e Turbinas. O Capítulo 10 apresenta os “Equipamentos e Sistemas Elétricos”, os Geradores, o Arranjo Geral das Unidades, os Transformadores, os Sistemas Auxiliares Elétricos, os Sistemas de Proteção, a Subestação da Usina e a Interligação ao Sistema de Transmissão, bem como um resumo dos aspectos relacionados com a Operação e Manutenção da Usina. O Capítulo 11 trata do “Planejamento da Construção” da usina, incluindo o Projeto de Desvio do rio, bem como o Cronograma das Obras e às Modalidades de Contratação atualmente praticadas no país. Finalmente, o Capítulo 12 apresenta um resumo sobre os Riscos associados aos aproveitamentos hidrelétricos e a Gestão do Patrimônio das Obras Hidráulicas, incluindo um resumo dos principais acidentes ocorridos com barragens pelo mundo.
O livro pode ser adquirido em livrarias especializadas ou nos sites
e-commerce Fernanda Abreu: site@ofitexto.com.br
livro papel Verônica Silva: atend@ofitexto.com.br
site da editora: www.ofitexto.com.br

RESUMO DO CURRÍCULO DO AUTOR
GERALDO MAGELA PEREIRA

Engenheiro Civil (UnB – Junho de 1974) com 40 anos de experiência em projetos de usinas hidrelétricas, nas áreas de geotecnia, hidráulica, incluindo estudos hidráulicos em modelos reduzidos, arranjos e planejamento da construção, coordenação de projetos (25 anos), nas fases de: Estudos de Inventário, Estudos de Viabilidade, Projetos Básicos e Projetos Executivos. Nos últimos 20 anos, após as mudanças institucionais no Setor Elétrico, participou ativamente na área comercial no desenvolvimento de propostas e negócios para o desenvolvimento de empreendimentos em contratos tipo EPC. Principais projetos: UHE Balbina (250 MW); UHE Rosana (320 MW); UHE Tucuruí (1ª fase-4.000 MW), incluindo o treinamento da equipe de operação as 23 comportas do Vertedouro; UHE Santa Isabel Alta (2.200 MW); UHEs Salto da Divisa e Itapebi; UHEs Canoas I (72 MW) e Canoas II (82,5 MW); diversas PCHs totalizando 1.000 MW, aproximadamente; Coordenou para a ELETROBRÁS (1997/1998) a revisão do Manual de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Diversos Estudos de Inventário, sendo os principais: rio Sucuriú (MS), rio Tocantins (TO), rio Teles Pires (MT).





domingo, 22 de março de 2015

O Petrolão e os Engenheiros

Matéria publicada na Voz do Engenheiro, revista do Senge-DF, edição de jan/fev 2015

Eng. Danilo Sili Borges
A sociedade brasileira tem assistido aos desdobramentos investigativos do chamado Petrolão, a corrupção milionária e desenfreada descoberta na Petrobras. Para a totalidade dos brasileiros, os fatos cotidianamente divulgados pela televisão e demais mídias têm efeito demolidor sobre o orgulho que temos da maior empresa brasileira, criada por pressão das ruas, quando ainda era incerta a existência de óleo no subsolo nacional, aí pelos anos 40 e 50 do século passado.
 Para os engenheiros a vergonha e a indignação são ainda maiores, pois a roubalheira se tem dado nas atividades de engenharia, dentro de empresa pública de engenharia, a Petrobras, em conluios com as maiores empresas particulares de engenharia do país. Peça chave das investigações é um engenheiro, que apanhado nas falcatruas se propôs a utilizar o instituto da delação premiada na tentativa de atenuar possíveis consequências da sua ficha criminal. Esse colega encontra-se atualmente em prisão domiciliar, segundo a imprensa, controlado por tornozeleira eletrônica.
Os engenheiros têm sido, por esses fatos, vítimas de bullying. Com frequência somos alvo de chacotas, obrigados a ouvir coisas do tipo, êta profissão de quadrilheiros.
Dispõem os engenheiros de sistema de fiscalização das atividades da engenharia e da conduta ética dos profissionais e das empresas de engenharia, ambos os grupos obrigados por lei a estarem inscritos nos Creas para poderem operar em território nacional, promovendo atividades de interesse da sociedade, segundo o artigo primeiro da Lei 5194, que regula essa profissão. Cabe, portanto, ao Sistema Confea-Creas zelar pela lisura das atividades dos engenheiros e das empresas da área.
É claro que crimes, como os que estão sendo competentemente apurados pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pela Justiça Federal transcendem às atribuições legais do sistema profissional dos engenheiros.
 Dois pontos serão aqui levantados, no que se refere à ação do Sistema Confea Creas, primeiro como órgão fiscalizador, que segundo a lei, deve ter em seus arquivos o registro dos contratos que ora estão sendo investigados, por se tratarem de contratos no âmbito da engenharia. Se o sistema profissional dispõe dos registros, estranha-se que eles não tenham servido como fatos inibidores das falcatruas; se não os tem anotados (ARTs), o Sistema põe a nu sua incompetência para defender a sociedade como lhe é atribuído pela lei.
O segundo ponto a ser levantado diz respeito ao futuro. O grupo de empresas arroladas no processo que tramita na Justiça Federal, no Paraná, é constituído pelas maiores empresas de engenharia do Brasil. Já se ouvem vozes de autoridades dos poderes constituídos, criando a nova tese de que devem ser punidas as pessoas físicas envolvidas, mas que as empresas sejam postas a salvo de punições para que possam continuar a operar nas grandes obras nacionais, sob o falso argumento, de que sem elas as obras de infraestrutura parariam em prejuízo do desenvolvimento nacional. Balela!
O Brasil tem dezenas, talvez centenas de empresas que podem assumir as obras em andamento e que não estão comprometidas, isto é, que não participam do clubinho do Petrolão e que podem rapidamente dar continuidade às obras. As importantes doações que possivelmente têm sido feitas às campanhas eleitorais não podem servir de blindagem às empresas corruptoras. Até porque as polpudas doações, se realmente foram feitas, o foram com recursos provenientes de falcatruas, portanto dinheiro do povo brasileiro, numa espécie espúria de financiamento público das campanhas eleitorais.
Ao Sistema Confea Creas cabe, em função do resultado das apurações judiciais, suspender ou cancelar os registros dessas empresas, de modo que não mais possam operar no Brasil, provisória ou definitivamente. Principalmente se os órgãos fiscalizadores do governo não as considerarem inidôneas.
O engenheiro delator, em alto e bom som, declarou que de modo semelhante às maracutaias apanhadas na Petrobras, outras ocorrem em “todos” os setores da atividade pública que lidam com serviços de engenharia. Cabe às autoridades apertar os controles e aos Creas intensificarem as fiscalizações, cumprindo os preceitos das Leis 5194/66 e 6496/77.

Na esmagadora maioria os engenheiros não são bandidos e as empresas de engenharia não são quadrilhas, mas todos devem ser exemplarmente fiscalizados e punidos quando for o caso.