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terça-feira, 16 de junho de 2015

Engenheiro no comando da recuperação econômica

Matéria publicada na Voz do Engenheiro, revista do Sindicato dos Engenheiros do Distrito Federal, edição junho 2015

Eng. Danilo Sili Borges

Os engenheiros, por força da profissão, estão à frente da maior parte das atividades produtivas do país. Nos últimos trinta anos têm enfrentado inúmeros planos econômicos, de todos os matizes: ortodoxos, heterodoxos, feijão com arroz, bala única, frango a um real, verão e diversos outros. Nem os engenheiros, nem a população têm deles boas lembranças.
A expressão plano econômico desgastou-se nos naufrágios sucessivos. Os recentes não têm recebido o pomposo título. O penúltimo foi denominado simplesmente de Nova Matriz Econômica com dois objetivos. Primeiro, estimular a aquisição de bens duráveis, carros e eletrodomésticos, para ativar a atividade econômica. Durou pouco, mas deixou muitos males. O segundo alvo foi alcançado, a reeleição da Presidente da República. Na época em que parecia que a solução jabuticaba fosse perfeita  –  a crise europeia passava pelo auge – , sugeriu-se que a Alemanha usasse a Nova Matriz para encaminhar a solução para aquela região. Bravatas para consumo interno.
O atual Ajuste Fiscal, também não recebeu explicitamente o status de Plano Econômico.
Desta vez, como de algumas outras, o comando está nas mãos de um engenheiro. A formação universitária básica de Joaquim Levy é a de engenharia naval pela UFRJ. Muitos colegas, ou seguindo vocação para questões econômicas, ou por encontrarem mais frutuoso mercado de trabalho nessa atividade, fazem opção pelas ciências econômicas.
O engenheiro Levy efetuou estudos em sua nova área de interesse na FGV e posteriormente na Universidade de Chicago. E faz belíssima carreira.
“Uma vez Flamengo, sempre Flamengo” diz a o hino do mais querido. Engenheiro também é assim, uma vez engenheiro, sempre engenheiro. Quero dizer com isso que o talentoso ministro sabe que a confiança na economia de um país se baseia na sua capacidade de realizar obras, de produzir competitivamente, da disponibilidade de seus recursos naturais, da competência do seu segmento laboral. As inconsequências perpetradas por qualquer governo, principalmente em suas contas, não têm o poder de inviabilizar a economia real, ou sequer de danificá-la permanentemente.
A palavra chave do nosso momento econômico é confiança. Em sua busca está o ministro em todos os seus périplos, os internacionais, os nacionais e os “congressuais”, isto é, em suas constantes visitas ao parlamento brasileiro na tentativa de alinhar o político ao econômico.
Investidores sabem que as potencialidades do Brasil continuam intactas: recursos naturais, grande mercado interno, capacidade empreendedora, sistema financeiro sadio, sociedade que não se deixa encantar pelo bolivarianismo. E isso é bom para investimentos de médio e longo prazo.
Por outro lado, especuladores que operam agilmente nas altas e baixas dos mercados procuram adivinhar os movimentos de curto e curtíssimo prazo. Esses consultam sempre seus oráculos, o principal deles as agências de previsão de riscos, que realmente têm capacidade de direcionar fluxos de capitais especulativos, por meio de suas notas e análises.
Engenheiros são treinados para resolver problemas com os recursos e os condicionamentos existentes. É verdade que a situação financeira do governo, com contas pedaladas e maquiadas, está contaminando a economia real.
Os investidores experientes sabem que as melhores aplicações se fazem nos momentos de mercados em baixa e aplicam no longo prazo e no crescimento dos empreendimentos.  Já os especuladores avaliam qual o menor prazo para manterem seus capitais aplicados de modo a terem lucros maximizados. Entre os dois grupos as expectativas são diferentes.
O problema atual é corrigir as contas enviesadas do governo e evitar que contaminem ainda mais a economia real. A tarefa é gigante. Usando os meios disponíveis tentam-se resolver os desequilíbrios,  reduzindo gastos, não diretamente os do governo, que tem custos altos: 38 ou 39 ministérios, muitos milhares de cargos para militantes políticos, corrupção, máquina pública ineficiente e de baixa criatividade, mas transferindo a conta do ajuste econômico para os trabalhadores, reduzindo direitos sociais duramente conquistados por décadas, aumentando a carga tributária e os preços administrados pelo governo. A mão deveria pesar mais nos que mais têm lucrado, cujo exemplo, pronto e acabado, é o dos bancos. Isso, no entanto, é tarefa para estadista.

Como velho engenheiro, entendo que o ministro engenheiro/economista está procurando resolver o problema com as ferramentas disponíveis. As recentes aprovações pelo congresso não encerram o rol de medidas restritivas que o Plano Levy pretende. Mas para delas fazer uso terá contínuos enfrentamentos com o mundo político, que não me parece estar disposto a dar outros tiros no pé. Afinal, as ruas estão atentas e as panelas prontas para se fazerem ouvir.

Boa sorte Ministro.


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