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domingo, 10 de abril de 2016

Leniência, o que é isso?

Fica autorizada a reprodução deste texto desde que citada a autoria e a fonte

Eng. Civil Danilo Sili Borges 
Procure no Aurélio o significado de leniência. Você será direcionado ao termo sinônimo lenidade, cujo significado é, segundo o mesmo dicionário, brandura, suavidade, doçura, leniência.

Ambos os termos não são do uso cotidiano dos brasileiros. Tanta suavidade, tanta brandura, tanta doçura com as empresas apanhadas pelas investigações da operação lava-jato os justificam para evitar celeuma e, ainda mais, clamor público.

Penso que já temos suficiente entendimento de como se pretende atuar no caso das mega empresas, que durante anos formaram cartel para esbulhar o cidadão brasileiro, é verdade que com o concurso de políticos e executivos do setor público. A leniência, agora em andamento, é versão “abafa-crime” do jeitinho brasileiro.

Dirigentes de empresas de menor porte, e sem os anteparos da propina, sabem o que significa ser a empresa declarada como inidônea pelo serviço público. Ficam impedidas de transacionar com o governo, passam a fazer parte de uma lista de desonestos, na melhor das hipóteses, incompetentes. Para as mega amigas não se cogita do tratamento saneador. Afinal, não se faz sofrer amigos e parceiros.

Sofisma-se ao afirmar que tais empresas dão emprego a centenas de milhares de trabalhadores, que sem elas o Brasil não teria como realizar as grandes obras de infraestrutura que necessita. Falácias para poderem ser lenientes (doces) com quem foi tão útil, e a bem da verdade, que talvez ainda possam vir a ser, o futuro a Deus pertence!  


Vamos por partes. Desmontando a primeira mentira: As empresas flagradas roubando dinheiro público não geram postos de trabalho, quem o faz é o governo ao licitar as obras com dinheiro do povo. Mais obras e mais empregos existiriam em construções sem superfaturamento.
Desmontando a mentira número dois: O Brasil dispõe de milhares de empresas construtoras que podem realizar as obras necessárias. As desonestas podem sair do cenário.

O argumento da experiência profissional desses atores-vilões não se sustenta. O know-how existe na competência dos engenheiros brasileiros. Aliás, é possível prever sérias dificuldades para empresas acostumadas a trabalhar com os orçamentos inchados dos cartéis, se elas se aventurarem em obras com preços reais e concorrendo para valer num mercado competitivo e sem vícios. E pior ainda, com a mácula indelével que nelas se colou.

Agora que a vaca foi para o brejo, juras de honestidade futura aparecem feitas por esses abutres da engenharia. "De agora em diante não roubaremos mais", você acredita?

Além disso, as punições se deveriam aplicar aos desvios passados e proporcionalmente aos danos causados. Sei que é difícil calcular quantas crianças ficaram sem atendimento médico, quantas pessoas ficaram sem alimentos, quanta dor e desespero foram causados. Os responsáveis por essas arapucas, chamadas de mega empresas, e seus parceiros devem passar o resto dos seus dias em penitência, para tentarem reduzir o sofrimento no inferno.

A engenharia, assim como outras profissões, tem organismos cuja principal função é zelar pelo bem estar da sociedade no concernente aos serviços de engenharia. São vinte e oito autarquias especiais, órgãos públicos com grande autonomia administrativa e econômico-financeira, vinte e sete Creas e o Confea. Em seus arquivos estão compulsoriamente registrados todos os engenheiros e todas as empresas do segmento, para que esses órgãos possam fiscalizar e regulamentar suas atividades, principalmente quanto ao aspecto ético.

Esses organismos, Confea e Creas, devem à sociedade brasileira um posicionamento público sobre os fatos que, há aproximadamente dois anos, veem sendo fartamente divulgados pela mídia. Os engenheiros merecem e exigem isso. A sociedade também. Fingir-se de morto não elide responsabilidades.


Um comentário:

  1. Muito bom o blog, parabéns! Vou vir sempre aqui. Priscila Santos MArtins

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