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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Prêmio e Castigo – Ryan Steven Lochte


Eng. Danilo Sili Borges

Não sou admirador dos Estados Unidos. Sou cidadão desta parte sul e latina da America pobre e explorada. Tenho sentimentos negativos em relação ao poderoso vizinho do norte. Minha geração cultivou, não sem razão, restrições àquele país por sua presença arrogante em todas as partes do planeta e principalmente por aqui, que perpetuamente lhes tem parecido não merecer o seu respeito e consideração.
Essas características deletérias parecem-me bem demonstradas na campanha eleitoral do senhor Trump, com suas propostas do muro na fronteira mexicana, 3000 mil quilômetros, a serem pagos, ele garante, pelo México; a expulsão dos imigrantes irregulares; o impedimento de entrada em seu país de muçulmanos, entre outras pérolas da intolerância humana.
A prepotência norte-americana é mais sutil na campanha da concorrente Hillary, mas a postura de “donos do mundo” também ali está presente.
No outro prato da balança, sei colocar os incomensuráveis benefícios que a sociedade americana tem, por muitas décadas, ofertado ao mundo nas artes, na ciência, nos costumes. Exemplo pronto e acabado das virtudes daquela sociedade pôde ser observado no caso do comportamento irresponsável do atleta Ryan Lochte, juntamente com outros 3 ou  4 componentes da delegação norte americana à  Olimpíada no Rio, incidente fartamente coberto pela mídia nacional e internacional.
Os fatos apurados rigorosamente pela polícia carioca levaram a que a hipótese do grupo ter sido assaltado não se sustentasse. O grande nadador americano  –  12 medalhas e muitos recordes em quatro Olimpíadas –  teve, num primeiro momento, o apoio da imprensa de seu país. Depois a mentira surgiu e o comportamento do grupo ficou sobejamente comprovado. Então a casa caiu.
Ontem, 8 de setembro, a imprensa americana divulgou as severas penalidades impostas ao premiado nadador e aos seus companheiros. Lochte, além de perder os patrocínios empresariais, pelo menos um dos quais, existente desde o início de sua bem sucedida carreira nas piscinas, foi severamente punido pelo Comitê Olímpico dos Estados Unidos – USCD – e pela Federação Americana de Natação.
A suspensão de Lochte das atividades esportivas por 10 meses o impedirá de competir no Campeonato Mundial de Natação em Budapeste em julho de 2017. No mesmo período estará proibido de acessar os centros oficiais de treinamento; terá que prestar 20 horas de trabalhos comunitários; não receberá o bônus de 100 mil dólares que cabe aos vencedores de medalhas de ouro; perderá o patrocínio mensal feito pelo USCD e está impedido de estar presente à visita à Casa Branca, com a vencedora delegação americana à Olimpíada de 2016. Prejuízos financeiros consideráveis, exposição pública dos seus desvios éticos, por aí andaram as penalidades.
Certamente Ryan Lochte tem sido ídolo da juventude de seu país, mas os deslizes pelas atitudes erradas e a mentira sobre elas, fez com que tudo de positivo que o atleta tem desempenhado, não servisse para que suas faltas fossem esquecidas, ou jogadas para baixo do tapete. As punições servem também para calibrar o futuro comportamento dos jovens que, com justa razão, admiram os ímpares dotes atléticos de Ryan.
Que bom, se por aqui também tivéssemos esses cuidados. O que seria das nossas representações políticas, nas quais crimes contra o erário público (entre outros) são cometidos por membros importantes, denunciados e comprovados, mas seus processos rolam na justiça em grande número, sem punições previstas.
Com certeza, nascem aí, nessa diferença de atitudes, os resultados comparados, tão díspares, entre as duas sociedades.

9set16

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