Senge-DF

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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Se conselho fosse bom ....


Fica autorizada a publicação do texto abaixo desde que citada a fonte e a sua autoria.

Eng. Danilo Sili Borges

Recebo com frequência mensagens de jovens engenheiros e de estudantes arguindo-me sobre aspectos da nossa profissão com relação ao momento atual e perspectivas. Devo essas atenções ao que eventualmente publico nesta página da Voz do Engenheiro, do Senge-DF, ao blog Conversa de Engenheiro (conversadeengenheiro.blogspot.com) e a eventuais participações em encontros profissionais.
Percebo sempre a angústia desses jovens com seu futuro profissional, neste momento central da crise econômica que assola a sociedade brasileira. Solicitam-me previsões sobre a duração e possível agravamento do cataclismo que se abateu sobre a nação e suas implicações na profissão.
Não sei fazer previsões desse tipo. Meu lado oráculo está desativado. Os profissionais da área econômica as estão fazendo, aos montes, nas redes de TV, e quase sempre errando, mas afinal essas adivinhações têm o condão de despertar expectativas, até que a realidade, boa ou má, mostre sua verdadeira cara. Órgãos oficiais do governo federal também participam desse festival de previsões. Se você se der ao trabalho de procurar artigos de economia dos institutos públicos, de cinco ou seis anos, vai verificar que por elas estaríamos hoje desfrutando de um crescimento anual do PIB da ordem de 5 a 7%. Para a engenharia previa-se, como consequência, a necessidade de centenas de milhares de novos engenheiros. E muita gente boa acreditou nessa simpática história.
Vai aqui o primeiro “conselho”: Engenheiro é alguém formado para resolver problemas e não deve acreditar ou fazer previsões que não estejam muito bem assentadas em fatos.
Recorrentes são também perguntas do tipo: - “Por que a corrupção se concentra primordialmente em obras e empresas de engenharia?”
E eu respondo: - Porque aí é que se concentram os grandes contratos com recursos públicos. Mesmo em época de vacas magras, tem havido recursos para grandes empreendimentos – estádios, sistemas de transportes urbanos, ferrovias, estradas, desvio do Rio São Francisco, centrais hidroelétricas, refinarias de petróleo, usina nuclear, exploração de petróleo em áreas submarinas.
Por um lado, temos que saudar a existência dessas obras, muitas das quais de importância fulcral para o desenvolvimento do país. Por outro, temos que lamentar a corrupção inerente a muitas delas, que têm seus custos ampliados por meio de sobrepreços e outras práticas danosas para a economia e para a moral pública. Neste caso um continuado desastre.
Escolho o terceiro grupo de questões que me são formuladas quanto à segurança das obras recentemente executadas ou em execução. Recorrendo à memória sei citar casos recentes:
1 – Desabamento de um viaduto em BH durante a Copa do Mundo de 2014;
2 – Desabamento de um tramo da ciclovia em São Conrado – RJ.
3 – Entrega de obras na Vila Olímpica em condições precárias para utilização imediata;
4 – Não cumprimento das obras de saneamento ambiental da Baia de Guanabara e outras;
Causas?
Obras com prazos políticos; formação inadequada de engenheiros; mercantilização do ensino superior, e aqui me refiro ao da engenharia, que tem posto no mercado profissionais sem a formação adequada.
A ausência de engenheiros experientes e vividos nas salas de aulas, substituídos integralmente por doutores, por exigência do sistema educacional, numa espécie de reserva de mercado para esses titulados, muitas vezes jovens bem formados, mas inexperientes na prática profissional.
As equipes das escolas devem ser mistas. Nelas têm que estar presentes os atualizadíssimos conhecedores das ciências da engenharia, os doutores, mas também os competentes artistas da profissão, profissionais de alto nível, projetistas e executores de grandes obras, afastados da academia pela visão míope e sectária das autoridades educacionais. Uma lástima e um grande prejuízo.
Para encerrar esses conselhos (que, diz a sabedoria popular, se fossem bons seriam vendidos):
1-      Não entrem em cambalachos, propinas e vantagens suspeitas. Nem dando, nem recebendo. O Brasil está mudando. Contribua para a criação de uma sociedade mais séria.
2-      Se, por um lado, as graduações deixam, muitas vezes, a desejar para a formação profissional, existem ofertas importantes de cursos de especialização, pós-graduações latu sensu, presenciais ou a distância, que permitem um aprimoramento permanente. Frequente-os.

3-      Participe ativamente das entidades de representação profissional da engenharia – clubes, sindicatos, associações, conselhos. Essas entidades padecem dos mesmos males que assolam todos os segmentos da nação e é preciso oxigená-los. Somente os jovens podem fazer isso.

Matéria originalmente publicada na revista Voz do Engenheiro, do Senge-DF, edição de setembro de 2016


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