Senge-DF

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Crise Hídrica no Distrito Federal

Para quem quiser entender a crise hídrica por que passa a população do Distrito Federal, procure ler o número 21 da Revista Voz do Engenheiro, edição de julho/agosto de 2017, publicação do Sindicato dos Engenheiros do Distrito Federal.
Resultado de pesquisa detalhada e profunda de autoria do jornalista Andrés Gianni, sem nenhuma conotação político-partidária, mostra causas, soluções que estão em andamento e o futuro previsível para a questão.

É impossível obter tanta informação isenta e de qualidade sobre o tema em um só veículo como nessa publicação. Parabéns ao Senge-DF e ao seu jornalista pela oportunidade da divulgação de assunto que desperta preocupações e interesse público

sábado, 15 de julho de 2017

A SERVIÇO DA HUMANIDADE

Por FÀTIMA CÓ

N
ossas profissões – a Engenharia e a Agronomia – estão presentes em praticamente todas as coisas e atividades do cotidiano. Da água que bebemos, à lâmpada que acendemos; do carro que nos transporta, à comida que chega à mesa, tudo tem, inerente, a técnica e o talento de agrônomos e engenheiros de todas as modalidades.
Pensemos: o que seria de um centro cirúrgico sem a engenharia que busca sem cessar a evolução dos equipamentos? E como ficaria nossa saúde, não tivéssemos o trabalho dos agrônomos para nos entregar alimentos adequados e garantir a segurança alimentar do planeta?

Muitas vezes, contudo, a importância do nosso trabalho não é percebida. Todos estão tão acostumados com as facilidades do dia a dia, que deixam de reconhecer a ciência e o trabalho que há por trás delas. Nesse “alheamento”, perde o profissional da área tecnológica que, por tabela, também deixa de ser reconhecido e, consequentemente, valorizado.
No Brasil, não é raro a engenharia ser lembrada apenas na falta de alguma dessas facilidades, ou, pior, apenas em situações de acidentes e catástrofes – quando a ponte cai, a barragem rompe, o edifício desaba ou o frigorífico é interditado.
Dado esse contexto, se desejamosa tão procurada valorização profissional –conjunto de fatores que começacom o reconhecimento da importância do nosso trabalho– é necessário que, ao invés de aguardarmos passivamente o momento dospróximosproblemas e escândalos – e eles infelizmente, ainda acontecem –,busquemos todos,proativamente, a ampla e contínuadivulgação do valor e do orgulho que temos de nossas profissões.

Seja nos pequenos espaços de convivência ou por meio de grandes campanhas, precisamos nos posicionar e mostrar ao mundo o que fazemos e os bons resultados de nosso trabalho.Precisamos lembrar as pessoas que a engenharia é o oxigênio da inovação e está na centro do desenvolvimento de qualquer país e que só com a ciência agronômica será possível alimentar a humanidade.

A Lei 5.194/66, que regula o nosso exercício profissional, traz explícito logo no seu primeiríssimo artigo que as profissões dos engenheiros e agrônomos são caracterizadas pelas “realizações de interesse social e humano”.Isso pode parecer uma obviedade, mas é ponto importante a destacar. O que acontece é que, às vezes, foca-se demais na técnica e nas formalidades, e esquece-se do mais importante: pensar nosimpactose nas transformações que nosso trabalho pode ter e gerar na sociedade.

A técnica e o senso de servir às pessoas não podem andar dissociados. Por isso a importância de humanizar ao máximo nossas ações. Pensar não só na sustentabilidade econômica de nossos negócios, obras, produtos, serviços, mas, principalmente, nas sustentabilidades social e ambiental. Já dizia Gilberto Freyre que “sem um fim social, o saber será a maior das futilidades”.

Quando nossas profissões são exercidas sob bases humanistas, privilegiando o bem comum e o desenvolvimento sustentável que pensa nas gerações por vir, os resultados são, inevitavelmente, muito mais relevantes e positivos para todos.

E é aliando essa consciência – interna – sobre nossa responsabilidade e missão no mundo, com a divulgação – externa – da importância e imprescindibilidade de nosso trabalho, que pavimentamos a estrada para o reconhecimento de nosso valor.

Fato é que a valorização de nossas profissões não veio e não virá por decreto. Porque ela não passa pela “obrigatoriedade”, mas sim pela “necessidade”. Quando a sociedade entender que estamos a serviço do seu bem-estar, da sua integridade, não precisaremos “impor” nossa presença. Reconhecidos como necessários, seremos naturalmente “convidados” a participar e a ocupar o lugar que merecemos: no centro das decisões que dizem respeito ao desenvolvimento das nações e à melhoria da qualidade de vida no planeta.


*Fátima Có é engenheira civil, ex-presidente do Crea-DF e Diretora do Exercício Profissional da Federação Nacional dos Engenheiros-FNE

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Os Engenheiros vão falar

Atendendo solicitação do Clube de Engenharia de Brasília estamos divulgando o texto abaixo.
Fundado em setembro de 1957, o Clube de Engenharia de Brasília – CEnB – congrega desde então os profissionais que construíram e têm desenvolvido, dentro da melhor tecnologia, esta cidade, sonho de JK. De Israel Pinheiro e Jofre Mozart Parada, até hoje, centenas de milhares de profissionais da engenharia estão transformando o cerrado, antes inóspito, na produtiva, vibrante e moderna metrópole atual.
Daqui saíram as diretrizes que durante décadas conduziram a nação ao desenvolvimento acelerado e que transformaram o país da monocultura cafeeira em uma nação admirada e promissora.
É da natureza dos Engenheiros e, por consequência, também do Clube de Engenharia de Brasília, que suas ações nas decisões estratégicas, urbanas, territoriais, regionais e nacionais não sejam alardeadas. Raramente nos dirigimos ao público para criticar, solicitar ou polemizar. Preferimos o caminho do convencimento pela razão da força dos argumentos e da lógica, levados a quem de direito. Somos assim por formação.
Hoje consternados, vemos o povo desestimulado, sem confiança em si e as autoridades que, por dever de ofício, deveriam conduzi-lo através da crise econômica, política e antes de tudo ética, enleadas em seus erros e interesses nem sempre republicanos. Lamentamos que algumas empresas e profissionais ligados às nossas atividades estejam envolvidos com a corrupção e esperamos que sejam exemplarmente punidos, assim como seus cúmplices do outro lado do balcão.
Em Brasília e em todo o Brasil, os Engenheiros e o melhor da inteligência nacional estão relegados ao desemprego e à desesperança, impotentes para gerar empregos para os demais trabalhadores das atividades produtivas da área da engenharia.
No momento em que começam a surgir os primeiros indicadores consistentes do fim da maior recessão da história do Brasil, com a queda da inflação, redução da taxa de juros, fim da recessão, crescimento da economia e do emprego, início da aprovação pelo Congresso das reformas e do fim do foro privilegiado surge uma nova crise.
Na grave emergência deste momento, os Engenheiros, através do Clube de Engenharia de Brasília, contrariando sua postura histórica, resolveram vir a público para opinar e exigir:
1 – É urgente a superação do clima de egoísmo e oportunismo, que têm movido as atividades públicas e privadas, do salve-se quem puder em que se transformou a atividade política no país. Espera-se que o que resta de dignidade em qualquer autoridade seja posto à disposição do Brasil, de seus trabalhadores, de suas crianças, de seus jovens, de seus velhos.
2 – A Engenharia, principalmente a construção civil, pode dar respostas rápidas na recuperação do emprego e da economia. É importante ativá-la, de pronto, sem prejuízo das apurações de roubos e da corrupção endêmica e sem colocar em risco a economia de longo prazo. E isso é possível, os Engenheiros lidam com a economia real e sabem como fazê-lo.

Deixem-nos trabalhar. Ao trabalho já!

domingo, 5 de março de 2017

Corrupção, uma especialidade da Engenharia?


Matéria publicada originalmente na Revista Voz do Engrnheiro do SENGE-DF
Eng. Danilo Sili Borges

Mea Culpa, Mea Maxima Culpa. Palma da mão direita aberta e três pancadas fortes no peito. Espórtula significativa negociada com autoridades eclesiásticas e, além de tudo, juras de arrependimentos eternos: daqui para frente não mais errarei.
O arrependimento sincero apaga todas as culpas? Todos os danos causados, os males pelos crimes perpetrados durante décadas, ficam esquecidos e perdoados pela declaração do Mea Culpa e de um punhado de moedas?
E se o arrependimento não for tão sincero e tiver sido obtido por estar o pecador posto a ferros na masmorra da inquisição, isso ainda vale?

“DESCULPE, A ODEBRECHT ERROU” (....)
“O que mais importa é que reconhecemos nosso envolvimento, (.....) não admitiremos que isso se repita.”
(Pequeno trecho de documento público divulgado pela construtora)

Neste espaço, cedido pelo Senge, falamos de engenharia e não de questões religiosas. Durante décadas dos meus 52 anos de profissão, ajudei a formar engenheiros nos bancos das faculdades: ciências que embasam a profissão; um pouco das matérias práticas e das artes sempre presentes no dia a dia profissional. O mais importante, no entanto, foi levar àqueles moços e moças a extensão dos princípios éticos e morais que eles já traziam de suas famílias pobres, médias ou abastadas, ao trabalho. Ao trabalho de engenharia que, regra geral, lida com vultosas importâncias e interesses públicos. Engenheiros são agentes insubstituíveis do desenvolvimento de uma sociedade. Devem atuar com honestidade e competência.
Diz-se que o engenheiro é o profissional capaz de fazer com cem reais o que qualquer um poderá fazer com mil reais. Esse é, em síntese, o vínculo da engenharia com a economia. Rompido esse princípio, não se tem engenharia de boa qualidade ou não se tem engenharia.
A corrupção nas licitações de obras e serviços de engenharia leva exatamente ao rompimento dessa equação, nada sutil, entre engenharia e economia real. Orçamentos super dimensionados, superfaturamentos, propinas conduzem a não-engenharia.
Daqueles jovens estudantes, ao se formarem, muitos foram recrutados por certas empresas – quase quadrilhas – como agora  sabemos.  Alguns deles estão listados nas dezenas ou centenas de pessoas implicadas nas falcatruas e fazendo “delações premiadas”. Para nós, que lidamos com eles quando jovens e idealistas, tendo na profissão para a qual se preparavam sincero interesse e respeito, tudo isso nos soa profundamente triste. Não sei o que será dos seus futuros se tiverem que trabalhar na engenharia de verdade, aquela com compromissos com custos e com competitividade. É possível, que alguns estejam tão ricos que não se preocupem com isso. Só espero que consigam dormir com tranquilidade. Desconfio que o Mea Culpa não limpe as manchas da consciência.
Para encerrar, teço algumas considerações:
1 – O desserviço que as empresas corruptas prestaram à formação dos engenheiros brasileiros é incalculável. Gerações se formaram certas de que atividades de engenharia e corrupção estavam sempre e inevitavelmente de mãos dadas;
2 – Sob o falso argumento de que as empresas faltosas geram milhares de empregos, usa-se o instrumento da leniência para preservá-las. Pelo contrário, obras superfaturadas, propinas e desvios tornam as obras muito mais caras e os recursos públicos são dilapidados, gerando-se menos obras e menos empregos. Os argumentos são falaciosos.
3 – Os eventuais conhecimentos tecnológicos de domínio dessas empresas, na realidade, estão nas cabeças dos engenheiros que os criaram ou que com eles trabalharam e que sem dificuldades poderão levar consigo para onde forem. Isso não é motivo para preservação das recém “convertidas” à ética empresarial.
4 – O jogo de cartas marcadas, os cartéis, impediu o surgimento de outras empresas que teriam oxigenado o ambiente de negócios e de criatividade tecnológica da atividade.
5 – É bom que se saiba que cartéis existem não apenas entre as 5 ou 6 macro empresas que operavam na Petrobras e nas maiores obras do país. Mesmo em empreendimentos públicos menores, estaduais e municipais, o modelo se repetia, (ou se repete) impedindo o surgimento de novas empresas, de mais competição e, por consequência, de mais oportunidades para os engenheiros.


E, que se for o caso, “que Deus os perdoe, mas que a nós não desampare!”