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sábado, 15 de julho de 2017

A SERVIÇO DA HUMANIDADE

Por FÀTIMA CÓ

N
ossas profissões – a Engenharia e a Agronomia – estão presentes em praticamente todas as coisas e atividades do cotidiano. Da água que bebemos, à lâmpada que acendemos; do carro que nos transporta, à comida que chega à mesa, tudo tem, inerente, a técnica e o talento de agrônomos e engenheiros de todas as modalidades.
Pensemos: o que seria de um centro cirúrgico sem a engenharia que busca sem cessar a evolução dos equipamentos? E como ficaria nossa saúde, não tivéssemos o trabalho dos agrônomos para nos entregar alimentos adequados e garantir a segurança alimentar do planeta?

Muitas vezes, contudo, a importância do nosso trabalho não é percebida. Todos estão tão acostumados com as facilidades do dia a dia, que deixam de reconhecer a ciência e o trabalho que há por trás delas. Nesse “alheamento”, perde o profissional da área tecnológica que, por tabela, também deixa de ser reconhecido e, consequentemente, valorizado.
No Brasil, não é raro a engenharia ser lembrada apenas na falta de alguma dessas facilidades, ou, pior, apenas em situações de acidentes e catástrofes – quando a ponte cai, a barragem rompe, o edifício desaba ou o frigorífico é interditado.
Dado esse contexto, se desejamosa tão procurada valorização profissional –conjunto de fatores que começacom o reconhecimento da importância do nosso trabalho– é necessário que, ao invés de aguardarmos passivamente o momento dospróximosproblemas e escândalos – e eles infelizmente, ainda acontecem –,busquemos todos,proativamente, a ampla e contínuadivulgação do valor e do orgulho que temos de nossas profissões.

Seja nos pequenos espaços de convivência ou por meio de grandes campanhas, precisamos nos posicionar e mostrar ao mundo o que fazemos e os bons resultados de nosso trabalho.Precisamos lembrar as pessoas que a engenharia é o oxigênio da inovação e está na centro do desenvolvimento de qualquer país e que só com a ciência agronômica será possível alimentar a humanidade.

A Lei 5.194/66, que regula o nosso exercício profissional, traz explícito logo no seu primeiríssimo artigo que as profissões dos engenheiros e agrônomos são caracterizadas pelas “realizações de interesse social e humano”.Isso pode parecer uma obviedade, mas é ponto importante a destacar. O que acontece é que, às vezes, foca-se demais na técnica e nas formalidades, e esquece-se do mais importante: pensar nosimpactose nas transformações que nosso trabalho pode ter e gerar na sociedade.

A técnica e o senso de servir às pessoas não podem andar dissociados. Por isso a importância de humanizar ao máximo nossas ações. Pensar não só na sustentabilidade econômica de nossos negócios, obras, produtos, serviços, mas, principalmente, nas sustentabilidades social e ambiental. Já dizia Gilberto Freyre que “sem um fim social, o saber será a maior das futilidades”.

Quando nossas profissões são exercidas sob bases humanistas, privilegiando o bem comum e o desenvolvimento sustentável que pensa nas gerações por vir, os resultados são, inevitavelmente, muito mais relevantes e positivos para todos.

E é aliando essa consciência – interna – sobre nossa responsabilidade e missão no mundo, com a divulgação – externa – da importância e imprescindibilidade de nosso trabalho, que pavimentamos a estrada para o reconhecimento de nosso valor.

Fato é que a valorização de nossas profissões não veio e não virá por decreto. Porque ela não passa pela “obrigatoriedade”, mas sim pela “necessidade”. Quando a sociedade entender que estamos a serviço do seu bem-estar, da sua integridade, não precisaremos “impor” nossa presença. Reconhecidos como necessários, seremos naturalmente “convidados” a participar e a ocupar o lugar que merecemos: no centro das decisões que dizem respeito ao desenvolvimento das nações e à melhoria da qualidade de vida no planeta.


*Fátima Có é engenheira civil, ex-presidente do Crea-DF e Diretora do Exercício Profissional da Federação Nacional dos Engenheiros-FNE

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